Tolerância, paciência, persistência, desafio, autoconhecimento, superação, resiliência e empatia. Essas foram algumas das palavras mais citadas pelos leitores do NSC Total na ação participativa #CápsulaNSC#CápsulaNSC, uma cápsula do tempo virtual para lembrar deste ano tão incomum. A nossa equipe fez a seguinte pergunta: “que lição você vai levar de 2020?”.
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Entre as respostas, destacaram-se a importância de valorizar amigos e familiares, de agradecer todos os dias, de estar presente no agora, de ter fé, de aprender a viver apenas com o necessário e de reconhecer que a vida é frágil. Alguns leitores relataram as conquistas profissionais e pessoais do ano e a gratidão por terem passado mais tempo com a família. Outros, no entanto, lamentaram a perda de pessoas queridas para a Covid-19 e a dor em assistir ao que o mundo enfrentou nesses últimos 12 meses,
O ano de 2020 não foi fácil para ninguém. A pandemia do novo coronavírus trouxe vivências que a atual geração desconhecia, e nos colocou cara a cara com um vírus que é capaz de abreviar milhares de vidas por dia ao redor do mundo. Em um curto período de tempo, tivemos que ressignificar a nossa rotina e aprender a lidar com uma realidade sem precedentes.
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Apesar das perdas, o tempo que passamos isolados em casa, as novas formas de entrar em contato com quem amamos e a mudança nos hábitos a fim de combater o vírus trouxeram aprendizados que não devemos esquecer tão cedo.
Em 2020, Mirian Santin, 69 anos, percebeu como é difícil viver sem abraços. A aposentada cuidou presencialmente da mãe de 93 anos ao longo do ano. Durante as videochamadas que a mãe fazia com os outros filhos, notou que a saudade do abraço deles transparecia e chegava a doer. A pandemia também a fez lembrar da importância da convivência e do cuidado com os pais e do valor do ar que respiramos.
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Eliane Barreto Maiate, 46 anos, acredita que 2020 foi dor e luto. Um ano para entender a impermanência de tudo e valorizar verdadeiramente o essencial, segundo a leitora.
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Para a psicóloga clínica e mestra em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, Maria Luiza Iusten, os aprendizados deste ano ainda estão acontecendo.
— Crises são momentos que nos desestruturam, que nos colocam diante da fragilidade e vulnerabilidade humana, e que nos pedem um movimento criativo no mundo.
Ela ressalta que em 2020 foi possível sentir vários tipos de luto. O luto de uma vida que conhecíamos para uma vida que não estávamos preparados para lidar. O luto das relações presenciais e o das mortes diárias de pessoas próximas e distantes.
— É uma ilusão o controle que pensávamos que tínhamos sobre a vida. Diante disso, o maior aprendizado para se buscar o equilíbrio é tentar ficar no presente, no aqui e agora. E isso é muito singular. Cada pessoa vai descobrir quais são os seus próprios recursos.
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Ao longo do ano, nos atendimentos, Iusten também identificou que alguns aprendizados apareciam com frequência nos relatos dos pacientes, como a busca e fortalecimento da espiritualidade, o desenvolvimento da ação de pedir ajuda e o fortalecimento de alguns vínculos afetivos para lidar com os momentos difíceis.
Falta de empatia
Além das lições positivas que 2020 trouxe à tona, os leitores do NSC Total também destacaram aspectos negativos escancarados pela pandemia do novo coronavírus. Frases relacionadas a egoísmo, desrespeito e ausência de empatia estiveram presentes nos relatos.
“As pessoas não mudam os hábitos, mesmo sabendo que correm risco de morte”, “o ser humano não sabe viver no coletivo”, “a população não sabe respeitar”, “o povo não está preparado para viver em prol do bem comum” são exemplos da indignação de alguns leitores devido ao desrespeito das medidas de combate à Covid-19 por parte dos cidadãos.
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A psicóloga Maria Luiza Iusten explica que vários aspectos podem estar contribuindo para isso, como o mau exemplo dos governantes, a ilusão de que só acontece com as outras pessoas e a prevalência de um sistema individualista e egoísta que alimenta e atravessa as relações sociais, enfraquecendo, cada vez mais, as noções de coletivo, troca, partilha e cuidado com o próximo.
De olho no futuro
O ano de 2020 realmente proporcionou diversas reflexões sobre a forma como a sociedade vem se organizando. O ideal seria que os aprendizados emergissem sem a ajuda de uma tragédia, mas é preciso alimentar a esperança em meio à crise.
Iusten aponta que alguns hábitos desenvolvidos ou potencializados durante a pandemia devem permanecer no próximo ano, como o home office, os cursos online, o contato por meio da internet, maiores cuidados com a casa e atividades físicas com frequência.
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As relações interpessoais também já estão sendo afetadas e devem mudar em 2021. Alguns vínculos se fortaleceram, outros se distanciaram. Segundo a psicóloga, além disso, observa-se que pessoas já estão começando a dar mais atenção aos detalhes do dia a dia que antes não chamavam atenção.
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— São aprendizados que ficam e que podem nos proporcionar um contato mais saudável com o mundo à nossa volta. Acredito e tenho a esperança de que a gente possa valorizar mais as relações e os encontros presenciais quando eles puderem voltar a acontecer, assim como os pequenos detalhes da vida.
*Com supervisão de Ingrid Santos