A Lei Maria da Penha, número 11.340, instituída para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, completa 15 anos neste sábado (7). Sancionada em agosto de 2006, é reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três melhores legislações do mundo no enfrentamento à violência contra as mulheres.

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Essa foi uma conquista importante para o Brasil. A lei agilizou processos, definiu os tipos de violência, endureceu a punição e fez com o Estado e a sociedade enxergassem um problema tão silencioso. Porém, ainda é preciso melhorar as estratégias para combatê-lo. 

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A violência doméstica e familiar é a principal causa de feminicídio. Em Santa Catarina, durante os 12 meses de 2020, o Estado registrou um caso por semana. Ao menos 57 mulheres foram assassinadas pela condição de gênero, segundo dados Secretaria de Segurança Pública do Estado.

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Em 2021, dos 20 casos de feminicídio registrados entre janeiro e junho, 15% são de mulheres mortas pelos próprios pais.

— A sociedade é muito conivente, ela depende do controle das mulheres através da violência. O temor de sofrer a violência faz com que as mulheres se comportem de uma maneira que seja adequada às normas sociais — afirma Caroline Moraes, fundadora da ONG Nós Mulheres, que oferece apoio a vítimas de violência doméstica.

A Lei Maria da Penha

A Lei Maria da Penha foi uma homenagem à farmacêutica bioquímica Maria da Penha Maia Fernandes, que sofreu dupla tentativa de feminicídio pelo seu ex-marido, Marco Antonio Heredia Viveros.

Natural do Ceará, Maria vivenciou diversas agressões. Em 1983, ele deu um tiro em suas costas enquanto ela dormia. Escapou da morte, mas ficou paraplégica. À época, Marco declarou à polícia que foi uma tentativa de assalto. 

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Ao voltar para casa depois de tratamentos e cirurgias, ele a manteve em cárcere privado durante 15 dias e tentou eletrocutá-la durante o banho. Depois de anos e muitas tentativas, ela conseguiu denunciar o agressor.

Autora do livro “Sobrevivi… posso contar” (1994) e fundadora do Instituto Maria da Penha (2009), Maria da Pena é símbolo de luta. 

Além da violência física, que pode levar ao feminicídio, a Lei Maria da Penha também abrange violência psicológica, sexual, patrimonial e moral.

Farmacêutica bioquímica Maria da Penha Maia Fernandes, que deu nome à lei
Farmacêutica bioquímica Maria da Penha Maia Fernandes, que deu nome à lei (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Ciclo da violência

A violência doméstica tem várias faces e especificidades, porém, a psicóloga norte-americana Lenore Walker identificou que as agressões ocorrem dentro de um ciclo. São três fases: aumento da tensão, ato de violência, arrependimento e comportamento carinhoso.

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— Um relacionamento violento e abusivo não é abusivo desde o começo e não é abusivo o tempo inteiro. Em geral, quando é retratado nas novelas, nos filmes, sempre aparece aquele cara agressor que é o tempo inteiro agressor, o tempo inteiro grosseiro, ríspido. Na vida real, não é assim que acontece, existe um ciclo de violência — explica Moraes.

Para Caroline, é preciso interromper a violência logo no início. Geralmente, os primeiros sinais são a mudança de comportamento e o isolamento.

— A gente precisa que a sociedade se estruture de uma maneira que favoreça canais, para que essa mulher consiga fazer a denúncia, para que não seja só uma questão de polícia. A gente precisa que toda a sociedade esteja preparada para combater a violência.

Formas de pedir ajuda

WhatsApp da Polícia Civil: (48) 98844-0011;

Delegacia virtual: Disque 100 ou através do número 182;

Polícia Militar: 190;

Sinal Vermelho: a vítima pode falar que “precisa de máscara roxa” ou mostra um “X” desenhado na mão ou em qualquer pedaço de papel em farmácias.

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*Com supervisão de Brenda Bittencourt

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