O novo presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), Julio Garcia, assumiu o cargo defendendo uma relação com o governo Jorginho Mello baseada em “independência e harmonia entre os poderes”. As palavras foram repetidas ao longo da entrevista coletiva após a vitória alcançada com votos de 37 dos 40 deputados, na tarde deste sábado (1º).

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Julio Garcia afirmou que pretende fazer uma gestão de continuidade ao trabalho do ex-presidente Mauro de Nadal, dando sequência a iniciativas como o programa Assembleia Itinerante, que levou reuniões a grandes cidades de SC. Ele também defendeu que a Alesc se envolva mais em problemas do Estado, como os gargalos da infraestrutura.

Outra fala do novo presidente foi na linha de pregar o respeito e afirmar que não acredita em interferência do processo eleitoral de 2026 na relação entre governo e Alesc.

O novo presidente antecipou o desejo de concorrer a deputado federal no próximo ano e afirmou ter boa relação com o governador Jorginho Mello, com quem deve discutir projetos enviados pela gestão estadual à Alesc nos próximos dois anos. Questionado sobre a disputa por uma vaga de desembargador no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que envolve o deputado estadual Ivan Naatz, Julio evitou qualquer interferência da Assembleia, mas admitiu que a torcida vai para o colega de parlamento.

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Veja fotos da volta de Julio Garcia ao comando da Alesc

Confira abaixo a entrevista de Julio Garcia após a vitória para o quarto mandato na Alesc:

Qual a expectativa dos próximos dois anos e qual o plano para o parlamento?

O deputado Mauro [de Nadal, agora ex-presidente] fez um excelente trabalho aproximando, ainda mais, a Assembleia Legislativa da população. Esse trabalho vai ter continuidade. Eu sou do tempo em que a Assembleia era fechada, não tinha TV AL, não tinha povo na casa, não tinha essa comunicação tão intensa. E hoje a Assembleia é transparente. O deputado Mauro a tornou itinerante, ela foi para o interior e nós vamos dar continuidade a esse trabalho. Transparência em relação com os demais poderes na forma da Constituição, ou seja, com independência e harmonia. Internamente também bastante harmonia e fazer tudo aquilo que é necessário, sem grandes sobressaltos. O parlamento, quanto mais harmônico estiver, melhor. E trabalhar para que a assembleia possa dar a sua contribuição para melhorar a vida dos catarinenses.

O senhor tem um histórico de preservar a Casa e de fato manter a harmonia com os demais poderes. Mas nós estamos no ano pré-eleitoral, em um país que a gente pula de uma eleição para outra. Como administrar esse cenário?

Ano passado nós tivemos eleição de prefeito. Quando estava se aproximando outubro, parecia que tudo ia pegar fogo. E no final das contas, termina tudo bem. A eleição é assim mesmo. O ex-governador Luiz Henrique dizia: “Eleição na terra é tempo de guerra”. Mas a guerra é eleitoral, é guerra política, disputa, né? Se ela for feita com respeito, tudo acontece com normalidade. Eu diria que a palavra-chave é essa: respeito.

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Para quem está fora e ver que o senhor é eleito com apoio do PT, com apoio do PL, com apoio de todos os partidos, como falar para a sociedade que isso é algo da política?

Eu não fui eleito para mandar na assembleia, né? Eu fui eleito para coordenar os trabalhos da assembleia. Esse é o papel do presidente. Se o presidente que preside entende assim, certamente as coisas acontecem naturalmente e a sociedade compreende. É normal que alguém tenha que ser presidente. E hoje eu me elegi presidente e vou agir dessa forma, vou agir democraticamente, vou agir com respeito e eu tenho certeza que tudo vai acontecer normalmente.

O senhor pode participar de uma composição estadual majoritária ou não?

Eu fui eleito para ser presidente da assembleia. O presidente do nosso partido é o Eron Giordani. Eu vou cuidar da assembleia nesse período e o Eron vai cuidar do partido. Em relação à minha participação, a minha decisão pessoal está tomada, eu serei candidato a deputado federal.

O que ficou para esta vez na presidência da assembleia? Algum desejo especial de algo que o senhor não fez?

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Eu acho que a Assembleia tem que dar continuidade àquilo que de bom foi feito, acho que tem que protagonizar um pouco mais nas lutas pelas grandes bandeiras de Santa Catarina, nós temos problemas sérios de infraestrutura. Eu acho que a Assembleia tem que agir muito nisso com as bancadas regionais. Nós precisamos identificar através das bancadas quais são os maiores desejos e através disso fazer realmente campanhas fortes interna e externamente para que essas bandeiras possam ser alcançadas, para que esse gargalo de infraestrutura que nós temos possa ser superado.

O senhor chega ao quarto mandato na presidência da Assembleia Legislativa entrando com um marco histórico. Essa maturidade enquanto líder político e também à frente do parlamento não traz um novo desafio, até pela cobrança dos parlamentares e também da sociedade?

Eu acho que a relação entre os parlamentares tem sido muito saudável. Nós vivemos um momento muito bom na Assembleia Legislativa e cobranças são naturais. É muito [natural] do ser humano. Então, eu não vejo nenhuma dificuldade nessa relação, não tenho nenhuma preocupação com esse desafio. Acho que tudo transcorrerá normalmente e, muito embora a gente tenha uma assembleia com composição extremamente eclética, vivemos no país uma divisão, e isso de alguma forma tem influência, mas a Assembleia não será afetada por isso. Nós vamos conduzir democraticamente, respeitosamente, da melhor maneira possível. Certamente o resultado haverá de ser bom.

Presidente, como o senhor avalia atualmente o relacionamento do parlamento catarinense com o governo de SC?

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O governo aprovou praticamente todos os projetos que mandou para a Assembleia Legislativa. Eu diria que o relacionamento estabelecido entre a Assembleia e o governo é exatamente da forma como preconiza a Constituição. Independente, mas harmônico. E aqui se corrige projetos, aqui se aperfeiçoa e o governo respeita e vai ser assim, vai continuar sendo assim.

O senhor conversou com o governador na articulação da chapa, como é que foi a relação dele? Como é que o senhor espera que vai ser a relação com o governo?

O deputado Mauro Nadal foi bem claro quando deu uma declaração e disse que na Assembleia Legislativa, quem decide são os 40 [deputados]. E o governador respeitou essa independência da Assembleia. Eu estive com ele durante esse período, mas não tratando da eleição da mesa. Nós fomos conversar porque como candidato, como possível presidente de um poder, naturalmente, a gente conversa antes de assumir. Nós temos uma relação pessoal muito boa, muito estreita, mas a Assembleia vai ser independente e harmônica.

O Assembleia Itinerante foi um projeto que aproximou a Assembleia das regiões. Há uma ideia inclusive de criar um projeto de lei para poder fazer com que essas sessões entrem no calendário anual da Assembleia.

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Existe mesmo essa disposição para criar esse projeto, para fazer com que de fato a Assembleia Itinerante seja assim uma política da casa, dar continuidade a essa iniciativa do presidente Mauro de Nadal que foi muito exitosa. Nós temos sessões itinerantes muito importantes, com a participação da sociedade, com decisões importantes para cada região que nós visitamos. Nós vamos apenas mudar de município, estabelecer um calendário e fazer com que essa iniciativa se torne perene, porque ela fez muito bem à Assembleia e à sociedade.

Além da manutenção das ações da gestão do Mauro de Nadal, há alguma ideia nova, que o senhor identifica que a Alesc poderia estar presente com mais força?

Eu vou me reunir com a mesa, decidir em conjunto. Não haverá sobressalto, não tem grandes mudanças. Eu diria que é um governo de uma presidência de continuidade. Tendo em vista até o êxito da administração do deputado Mauro de Nadal.

Deputado, em relação à eleição para a vaga do Judiciário, o [deputado] Ivan Naatz está interessado nesta vaga. O parlamento vai de alguma forma apoiá-lo nesse tema?

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Quem decide isso é a OAB num primeiro momento, elaborando uma lista sêxtupla. Depois o Tribunal de Justiça reduz essa lista a uma lista tríplice, e o governador recebe a lista tríplice e escolhe uma pessoa. Então, tem que ouvir a OAB, o Tribunal de Justiça e o governador. Presidente da Assembleia não se mete nisso.

Sua torcida é pelo Ivan Naatz?

A minha torcida é pelo Ivan, meu colega de parlamento. Sim, sem dúvida nenhuma.

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