A jornalista e escritora mineira Daniela Arbex voou na quinta-feira (8) no mesmo avião modelo ATR-72-500 da companhia aérea VoePass, antiga Passaredo, que caiu em Vinhedo, interior de São Paulo, nesta sexta (9). A aeronave que caiu partiu de Cascavel, no Paraná, em direção ao Aeroporto de Guarulhos (SP), mas não chegou ao seu destino, matando os 61 passageiros a bordo.

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Nas redes sociais, a jornalista conta que chegou a filmar passageiros passando mal pelo calor devido ao não funcionamento do ar condicionado. Conforme mostra o vídeo, um passageiro chegou a tirar a camisa. Outro, que estava numa poltrona à frente, reclamou de muita dor de cabeça. “As pessoas se abanavam”, escreveu a jornalista.

Veja o vídeo da jornalista


Daniela estava em um voo que havia saído de Ribeirão Preto para Guarulhos. Na sequência, faria conexão para Minas Gerais. A jornalista disse ter ficado muito indignada, pois era a terceira vez que a aeronave apresentava o mesmo problema.

“Eu e outros passageiros questionamos a aeromoça. A resposta foi que o ar não funcionava em solo, o que não aconteceu na vez anterior, quando a empresa usou como desculpa que o ar precisava de manutenção”.

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Por causa desses problemas, contou a jornalista, em um outro evento que participou teria pedido para o contratante não comprar mais passagens pela empresa VoePass, que atua em voos regionais em vários estados.

Daniela reconhece que, por enquanto, não se sabe o que motivou a queda da aeronave matando quatro tripulantes e 57 passageiros na tarde desta sexta-feira, mas acredita que para ela e os demais passageiros que embarcaram 24 horas antes, o risco foi real.

“Lamento profundamente pelas vidas perdidas hoje e percebo que corremos um risco real”, escreveu Daniela Arbex.

Quem é Daniela Arbex

Grandes reportagens de Daniela Arbex foram transformadas em livros, documentários e filmes. A jornalista escreveu sobre o incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), o rompimento da barragem de Brumadinho (MG) e sobre o hospital psiquiátrico Colônia, também em Minas Gerais, onde ao longo de décadas 60 mil pessoas morreram.

O best-seller Holocausto Brasileiro foi eleito Melhor Livro-Reportagem do Ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (2013) e segundo melhor Livro-Reportagem no prêmio Jabuti (2014).

Em 2022, Daniela lançou Arrastados, que revela os bastidores do rompimento da barragem de Brumadinho. A obra foi a vencedora do prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos 2023, na categoria livro-reportagem.

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Em fevereiro deste ano, Daniela lançou o livro Longe do Ninho, sobre a história do incêndio dos adolescentes que estavam no Ninho do Urubu, do Flamengo, onde morreram 10 meninos. Cinco anos depois, ninguém foi condenado.

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