Ruas alagadas, pessoas desabrigadas, deslizamentos, rodovias interditadas e uma morte. Este era o cenário em que a Grande Florianópolis se encontrava entre os dias 16 e 17 de janeiro, quando fortes temporais, com grande quantidade de chuva, atingiram as cidades, com sete municípios da região declarando situação de emergência. Após três semanas, as cidades ainda convivem com os rastros deixados pelas tempestades e buscam se reconstruir de uma calamidade deixada pelo tempo. 

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Em Florianópolis, as chuvas do dia 16 de janeiro causaram pontos de alagamentos, desde o Norte da Ilha até o Centro da cidade, com deslizamentos e pessoas ilhadas. Os temporais interditaram a principal rodovia estadual de Santa Catarina, a SC-401, e deixaram carros embaixo d’água, com ocorrências nos bairros Rio Vermelho, Sambaqui, João Paulo e Santo Antônio de Lisboa, onde uma cratera se abriu e um motorista precisou ser resgatado. Linhas de ônibus foram interrompidas para evitar danos. 

Ainda durante a noite do mesmo dia, a prefeitura de Florianópolis decretou situação de emergência. Foram mais de 250 milímetros em 24 horas. Segundo a Defesa Civil do Estado, o número representa mais de 70% da chuva esperada para todo o mês de janeiro na capital catarinense.

Mais de 140 ruas com problemas

Nesta quinta-feira (6), três semanas após o início das chuvas, Florianópolis ainda convive com 145 ruas para recuperar e 65 pontos de muros de contenção ou deslizamentos a atender. Segundo informações do secretário municipal de Infraestrutura e Manutenção da cidade, Rafael Hahne, a prefeitura conta com mais de 20 equipes de trabalho, tanto em recuperação de asfalto, quanto de lajotas, de recuperação, desobstrução e melhorias de drenagens e também muros de contenção. 

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— Sabemos da angústia e da ansiedade de quem sofre e sofreu aquele momento de grande chuva, mas agora é necessário ter paciência e a compreensão que a prefeitura vem dando prioridade aos pontos mais críticos da cidade — explica o secretário. 

A cratera do Caminho dos Açores, em Santo Antônio de Lisboa, no Norte da Ilha, também é uma das marcas deixadas pelos temporais em Florianópolis. Um motorista que transitava pelo local caiu no buraco, mas não se feriu. Conforme a prefeitura, obras estão sendo feitas na região, entretanto, levará entre 30 a 40 dias para restabelecer a conexão da rua. 

— Já conseguimos fazer toda parte de implantação, limpeza e, provavelmente nesta quinta-feira ou sexta-feira (7), será feita a implantação das galerias naquele trecho. 

Além do Caminho dos Açores, a prefeitura tem como prioridade a obra da subida do Morro do Céu, onde ocorreram danos na drenagem da rede de esgoto. Muros são reconstruídos na rua João Carvalho, trajeto da linha azul do Formiguinha, e também no alto da Caieira, outro ponto importante de mobilidade da região central. As equipes de trabalho estão divididas nas frentes de asfalto, lajotas, drenagem e contenções. 

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No dia 17 de janeiro, as chuvas continuaram e a cidade amanheceu com diversos pontos alagados, dois feridos e cinco desabrigados. No total, segundo informações do boletim da prefeitura, 38 pessoas precisaram deixar as suas casas. 

—  Desde dia 17 [de janeiro] estamos com um programa de desobstrução de rios, canais e galerias pluviais. Em função daquelas chuvas, muito material foi levado para as tubulações e agora estamos desobstruindo-as, para que não volte a acontecer. Obviamente, aquela intensidade de chuva não estava nem prevista nos radares de meteorologia, então a cidade com suas obras de infraestrutura tem de ser tornar resiliente a esse tipo de evento de mudança climática —  fala o secretário. 

Para a SC-401, a expectativa da prefeitura é de que a terceira faixa traga melhorias caso novas chuvas, com a mesma intensidade, ocorram, com obras de drenagem, melhorias nos taludes e contenções necessárias. 

— Então, imagina-se que, com a ampliação da obra, que é uma obra estruturante, vai se conseguir também melhorias pontuais desse tipo de intercorrência que ocorreu no dia das chuvas.

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Veja as fotos dos estragos das chuvas em Florianópolis 

Estragos em Biguaçu, São José e Governador Celso Ramos

Para além da Capital, outras cidades da Grande Florianópolis ainda convivem com os estragos deixados pelos fortes temporais dos dias 16 e 17 de janeiro.

Em Biguaçu, município que registrou 434,8 milímetros em 48 horas, o maior volume do período, foram registrados 167 casos de deslizamentos de terra e 30 desabrigados, que já retornaram para suas casas. A cidade também decretou situação de emergência. 

Conforme a prefeitura, 300 pessoas foram forçadas a deixar suas casas e estão atualmente hospedadas por familiares e 30 residências tiveram suas estruturas abaladas e as famílias afetadas estão sendo encaminhadas para o aluguel social.

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“A situação já foi homologada pelo governo de Santa Catarina e aguarda o reconhecimento federal do estado de calamidade. Assim que houver a oficialização, o município dará início ao processo de habilitação para o saque emergencial do FGTS, visando auxiliar as famílias afetadas”, informa a prefeitura de Biguaçu em nota. 

São José registrou 357,1 milímetros em 48 horas e decretou situação de emergência na manhã de sexta-feira. Após três semanas, a ponte do bairro Ceniro Martins, afetada pelos temporais, está com o tráfego funcionando parcialmente até ser reconstruída. Cinco famílias afetadas pelo risco de desabamento de suas residências foram incluídas no programa Aluguel Social. 

A prefeitura ainda concedeu isenção do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) 2025 para proprietários de imóveis que sofreram danos com alagamentos, que pode ser solicitada de forma on-line pelo site do órgão em até 90 dias após o ocorrido.

Em Governador Celso Ramos, os temporais causaram estragos em cerca de 70% do município, afetando todos os bairros, como informou o prefeito Marcos Henrique da Silva, no documento de decreto de situação de emergência. 

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Na cidade, foram realizados 63 resgates pelos bombeiros, e uma morte foi confirmada: a do pescador José Adalberto Sagas, 74 anos, natural de Governador Celso Ramos. Além disso, 45 famílias ficaram desalojadas e estão em casas de parentes. Nenhuma pessoa ficou desabrigada.

Atualmente, o município tem situações relacionadas à infraestrutura que precisam ser resolvidas, como as obras da rodovia Francisco Wollinger e a Estrada da Costeira da Armação, que foram parcialmente destruídas com as chuvas. Apesar de terem sido provisoriamente consertadas, conforme a prefeitura, a reconstrução dos locais é complexa e precisa de mais verbas. 

Uma escola da cidade também foi afetada pela enchente e precisa de recursos para se restabelecer. Por isso, nesta semana, o prefeito da cidade vai a Brasília para viabilizar verbas para reconstrução da infraestrutura afetada.

Situação da Grande Florianópolis 3 semanas após temporais

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