Para a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), a decisão do Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros no piso histórico de 7,25% ao ano já era esperada e mostra que o governo não deve usar a taxa básica de juros como um remédio para conter a inflação. Na avaliação das duas entidades, a decisão revela certa cautela do governo brasileiro, que a partir de agora deve aguardar os desdobramentos da economia, sobretudo se a alta dos preços dará ou não sinais de trégua nos próximos meses.

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Na avaliação de representantes do setor varejista, embora o comércio vivencie um momento de crescimento nas vendas e de queda da inadimplência, o consumo das famílias não pode ser o único pilar de sustento da economia brasileira.

– O atual modelo econômico favorável ao consumo já começa a dar sinais de esgotamento. Nossa expectativa é de que haja um recuo da inflação nos próximos meses. Caso contrário, o poder de compra do consumidor será comprometido, o que impacta negativamente no volume de vendas do comércio – afirma o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior.

O dirigente defende que o Brasil deve buscar medidas políticas para reduzir a atual carga tributária e unir forças para aumentar a produtividade brasileira.

– Hoje o Estado anda pouco eficiente e muito caro. Nem mesmo a redução do IPI conseguiu diminuir a arrecadação de impostos do governo, que como vimos nesta semana, bateu um novo recorde em 2012. É importante lembrar que a alta tributação não eleva apenas o custo dos produtos, mas também o da produção – disse o presidente da CNDL.

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Além disso, a CNDL e o SPC defendem a criação de oportunidades e de ambientes favoráveis ao financiamento de investimentos como gastos em infraestrutura pública e compra de equipamentos para ampliar a capacidade produtiva.

– São problemas históricos que afetam a capacidade de crescimento de longo prazo – afirma Pellizzaro Junior.