O goleiro Juliano Negri protagonizou um retorno inesperado ao futebol na terceira divisão do campeonato gaúcho. Após se aposentar em 2017, aos 31 anos, Juliano retornou aos gramados pelo Real SC, de Tramandaí – RS, onde ele mora. Sete anos após pendurar as chuteiras, Negri fez parte de uma campanha de acesso à segunda divisão estadual. Tudo graças a uma ida ao barbeiro.

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— Eu estava cortando o cabelo e o meu barbeiro comentou comigo que o Real precisava de goleiro, porque um deles havia machucado durante o campeonato. Ele passou meu número para o presidente, que me ligou. Acertamos tudo em 15 minutos numa noite de quinta-feira. Na sexta pela manhã eu estava treinando, nome no BID de noite e sábado já na lista para o jogo — contou Juliano em entrevista ao ge.

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A primeira partida foi contra o Guarani de Venâncio Aires, pela penúltima rodada da primeira fase, um empate por 1×1. Depois, três partidas sem sofrer gols, contra Apafut, de Caxias do Sul, e FC Riograndense, de Rio Grande. Na final do campeonato, o Real SC enfrentou o Gramadense, de Gramado, e ficou com o vice-campeonato. Juliano foi titular no primeiro jogo da final, uma derrota por 2×1.

Independente da final, o acesso estava garantido e a experiência não é novidade para Negri. É a sexta vez que ele comemora tal feito. Nesta conta estão inclusos três acessos nacionais pela Chapecoense: 2009, 2012 e 2013. O goleiro chegou no clube em 2007, quando a Chape disputava a Série C – na época a última divisão nacional – e defendeu a equipe durante sua ascensão até a primeira divisão.

— Eu e o Nivaldo chegamos juntos e não tinha nem roupa para os goleiros treinar. As calças todas rasgadas e as meias horríveis. […] A estrutura era muito precária, todos os jogadores moravam em uma casa. Depois, subimos para a Série A e mudou totalmente a realidade, viagens de avião e hospedagem em ótimos hotéis. Na época me tornei um jogador de Série A em um time que iniciei sem divisão — relembrou Negri, nesta mesma entrevista ao ge.

Após encerrar sua carreira, Juliano Negri se formou em Educação Física, abriu uma academia e trabalhou como salva-vidas. O goleiro destacou que a readaptação a rotina de treinos foi desafiadora, mas que sua formação ajudou no processo.

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— Como sou educador físico, conciliei os treinamentos físicos com situações de jogo. Rapidamente fui voltando à explosão, reflexo, mesmo já com mais idade e sete anos parado. Mas o pessoal do clube é sensacional, um trabalho de gente do bem, pessoas humildes que querem construir uma história —

O próximo capítulo dessa história vai ficar para 2025. O Real SC irá disputar a segunda divisão do campeonato gaúcho e Negri acredita que pode contribuir.

— O Real é o time de todo o litoral, não só de Tramandaí. Por mim, estou dentro (para 2025) —

*Arthur Alves é estagiário sob a supervisão de Diogo Maçaneiro