Quando o Furacão Catarina passou, Santa Catarina não tinha a estrutura necessária nem para prever tal fenômeno, e nem para alertar a população do que estava por vir. Os ventos que alcançaram 180 quilômetros por hora colocaram o fenômeno na categoria 2 da escala Saffir-Simpson.

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Hoje, segundo o atual secretário de Defesa Civil do Estado, coronel Fabiano de Souza, o Estado tem equipamentos únicos e equipes preparadas para prever, alertar e gerir a passagem de fenômenos como esse. 

O coronel era bombeiro militar na época, e lembra a resposta, mesmo que rápida, reativa. Ele conta que Santa Catarina não tinha equipamentos, nem equipes, que fizessem este tipo de previsão. 

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— Nós não tínhamos em Santa Catarina instrumentação suficiente para identificar e categorizar o fenômeno — afirma. 

Foi o Catarina, em 27 de março de 2004, e o desastre do Morro do Baú, em 2008, que fizeram soar o alerta: o Estado precisava se preparar melhor para eventos climáticos desse porte. 

Souza afirma que Santa Catarina está num local, entre os trópicos, propício para ocorrências como essas. Ciclones extratropicais, que trazem ventos e chuvas para o Estado, são um exemplo disso. 

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Foi um desses ciclones que evoluiu e se tornou um furacão, o único do Atlântico Sul até agora. Sem histórico de eventos climáticos tão intensos, havia até certa dúvida em relação ao furacão — ele aconteceria mesmo? 

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Aconteceu. O furacão passou e deixou um rastro de destruição, 11 mortos, mais de 30 mil residências danificadas e cerca de 30 mil pessoas afetadas. 

O que mudou na previsão e na gestão de desastres

Depois disso, a Defesa Civil, que até 2008 era um departamento, foi elevada ao primeiro escalão do governo Executivo e se tornou uma secretaria. Souza também afirma que houve um investimento pesado em contratação de profissionais especializados em observação meteorológica, e em equipamentos. 

Hoje, Santa Catarina tem equipamentos próprios para receber e ler imagens de satélites e prever ciclones, por exemplo, com antecedência. Dessa forma, o Estado deixa de depender de outros institutos, como era em 2004. Na época, afirma o secretário, os alertas do furacão vieram de entidades internacionais. 

Os radares meteorológicos, apesar de não serem os principais equipamentos para este tipo de observação, ajudam a medir volumes de chuva, por exemplo, o que também não existia na época. Segundo o coronel, isso também dificultou a análise do Furacão Catarina. 

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— Hoje, se um novo Furacão Catarina acontecesse, nós teríamos plenas condições, e a estrutura existente no Estado, de fazer a previsão desse tipo de fenômeno. 

Reportagens especiais relembram Furacão Catarina

Na semana que marca os 20 anos da passagem do Furacão Catarina pelo Estado, uma série de reportagens especiais relembra como foi o evento único no país que afetou cidades do Sul catarinense em 2004, e trazem os aprendizados deixados pelo furacão, que mudou a vida de milhares de catarinenses. 

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