Florianópolis inova e realiza a primeira experiência no Brasil de pagamento por compostagem comunitária. Em junho, a Prefeitura de Florianópolis assinou quatro ordens de serviço para processamento de aproximadamente 70 toneladas de resíduos orgânicos por mês em pátios descentralizados. Em pouco mais de dois meses, já foram compostadas mais de 100 toneladas de restos de alimentos. Além das 250 toneladas, que são processadas por mês pela Agroecológica Serviços Ambientais, no Centro de Valorização de Resíduos (CVR), no bairro Itacorubi.
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Segundo a Prefeitura, a ação é inédita no Brasil, tanto pelo fato do poder público remunerar esse serviço de saneamento quanto por fazer a compostagem de forma descentralizada. Esse tipo de econegócio permite à cidade ter novos pontos de destino final adequados para resíduos orgânicos. Na prática, é aplicado um modelo de economia circular, com recuperação de resíduos e ampliação de hortas e jardins urbanos.
A Secretaria municipal do Meio Ambiente destaca que os resíduos são tratados na própria comunidade, o que gera economia para a prefeitura, que deixa de mandar restos de alimentos para o aterro sanitário. Além disso, o composto orgânico é usado em hortas e jardins urbanos.
Dos resíduos gerados em Florianópolis, 35% do que vai para o aterro sanitário são orgânicos, entre restos de alimentos e podas, que podem ser recuperados pela coleta seletiva. Ano passado, com a seletiva flex Floripa, já foram desviadas do aterro 7,2 mil toneladas de orgânicos, permitindo ganhos de R$ 2 milhões.
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Como funcionam os pátios de compostagem na Capital
Três organizações operam pátios de compostagem no Sul da Ilha de Santa Catarina: Eduardo Elias Rodrigues (Destino Certo) e Associação de Amigos do Parque Cultural do Campeche (Pacuca), no Campeche, e Composta Aí, no Morro das Pedras. Já a microempresa de Francisca Aires Neves, Compostare, atua no Cacupé.
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Essas organizações recebem R$ 156,81 por tonelada recuperada, valor que corresponde ao que a cidade deixa de gastar com transporte e aterramento de rejeito, mais remuneração pelo serviço de responsável técnico para acompanhamento, operação, licenciamento e elaboração de relatórios de pátio de compostagem.
Valorização de orgânicos
O projeto impacta positivamente a cidade social e ambientalmente. Isso acontece, pois com preço padrão por tonelada e por responsabilidade técnica, tornou-se possível credenciar ONGs, associações ou pequenas empresas para fazer a compostagem nos bairros.
Além disso, o adubo obtido com a compostagem tem tido alta procura no mercado, não só pela qualidade, mas também em razão da alta nos preços de insumos químicos. Com os pátios, os resíduos orgânicos separados pelos moradores são recuperados no próprio bairro, em sistemas que estimulam a agricultura urbana e a segurança alimentar e nutricional.
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A avançada política pública de Florianópolis em relação aos resíduos orgânicos nasceu do apoio e suporte às iniciativas comunitárias estruturados pela então autarquia Comcap no projeto “Ampliação e Fortalecimento da Valorização de Resíduos Orgânicos no município de Florianópolis”, segundo colocado nacional em edital do Fundo Nacional de Meio Ambiente e viabilizado por acordo de cooperação financeira com o Fundo Socioambiental Caixa.
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