O cirurgião plástico Hosmany Ramos foi condenado em Itajaí por mais um crime, desta vez cometido em maio deste ano. Hosmany ficou famoso nos anos 1970 e foi preso em 1981 por homicídio, sequestro, roubo e tráfico de drogas. Cumpriu 35 dos 46 anos de pena e, em liberdade, aos 79 anos, foi acusado de outro delito.
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Conforme a denúncia do Ministério Público, no Dia do Trabalhador pediu para a vítima o levar até um terreno que estava à venda entre os bairros Cabeçudas e Praia Brava. No caminho, disparou contra o homem, que foi baleado no rosto, mas conseguiu desarmar Hosmany e pedir ajuda a uma testemunha. O homem sobreviveu e a tentativa de homicídio foi registrada pela polícia. Preso desde então, o agora condenado não pode recorrer em liberdade.
Hosmany morava em Porto Alegre e veio a Itajaí para prestar uma assessoria e olhar alguns terrenos para comprar, conta o advogado dele, Gustavo da Luz. O júri popular ocorreu na quarta-feira (11). Além da tentativa de assassinato qualificada, ele foi condenado por falsa identidade, já que desde o fim do ano passado se apresentava com outro nome.
O tempo de reclusão é de dez anos. A Juíza da 1ª Vara da Comarca de Itajaí levou em consideração um processo na capital paulista como reincidência para o aumento de pena.
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— Tentando esconder o passado criminoso, ele se apresentava com um sobrenome bastante famoso na área da medicina, buscando, assim, obter vantagens e ganhar credibilidade, credibilidade esta que, por escolhas trágicas ao longo de sua vida, ele acabou por derrubar — opinou o promotor José da Silva Junior.
O advogado explica que vai recorrer da decisão. Para ele, é necessário fazer um novo julgamento ou diminuir a pena. Na versão do médico, o tiro foi acidental, já que ele sequer discutiu com a vítima e ambos se conheciam pois tinham uma relação profissional.
Quem é o médico
Mineiro, Hosmany Ramos se formou em medicina no Rio de Janeiro, para onde se mudou aos 17 anos. Na década de 1980 ele trocou a carreira médica por condutas criminosas como homicídio, roubo de avião, estelionato e contrabando de veículos, entre outros, contou o G1.
Preso desde 1981 no interior paulista, o médico fugiu pela primeira vez de uma penitenciária em 1996, após ser beneficiado pela saída de Natal, escapada que repetiu no fim de 2008. Enquanto estava foragido, escreveu livros e acabou preso em 2009 ao ser pego com passaporte falso do irmão morto, quando tentava embarcar na Europa.
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Hosmany Ramos se livrou de vez da cadeia do interior paulista em 2016, quando recebeu o indulto pleno do Tribunal de Justiça, extinguindo a punibilidade de todos os crimes. Voltou a trabalhar como médico em 2017 no Tocantins, onde atuou em hospitais privados e clínicas particulares como cirurgião plástico.
Entre os procedimentos que ele oferecia pelas redes sociais estavam correções de ginecomastia (mama grande no homem), calvície feminina, transplante capilar, correção de “testa alta”, cirurgia plástica da intimidade, entre outros. No ano passado, foi acusado de furtar um celular dentro de um supermercado em Palmas.
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