A exposição “As Cores de Cada Vida” chegou a um lugar simbólico: o Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Os 19 retratos estilizados são de mulheres vítimas de crimes, ocorridos de 2012 a 2021, em Araranguá, Braço do Norte, Criciúma, Içara, Jaguaruna, Laguna e Tubarão. Além das telas, as vítimas de feminicídio ou tentativa deste crime têm suas histórias apresentadas em um documentário onde suas mães e irmãs contam sobre elas. Os relatos vão além da brutalidade a que foram submetidas, mas o lado de um cotidiano de afeto de sonhos que cada uma carregava antes de ser assassinada.

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Presidente em exercício e 1º vice do TJSC, o desembargador Cid Goulart observou que mais do que obras, os retratos sejam “monumentos à defesa dos direitos, à defesa das mulheres, à defesa da vida, porque é disso que nós precisamos”.

Morre Pedrinho Goulart, que puxava um dos carros do Berbigão do Boca em Florianópolis

O evento no TJSC é uma parceria com a Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid) e abre a campanha Agosto Lilás. A iniciativa pretende sensibilizar a sociedade sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher por meio de palestras, exposições, debates, encontros, eventos e seminários. A exposição se encerra dia 30.

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Cresce o número de medidas protetivas em Santa Catarina 

A coordenadora do Centro de Apoio Operacional Criminal e da Segurança Pública do Ministério Público (MPSC), promotora de justiça Bianca Andrighetti Coelho, destacou que o Anuário de Segurança Pública revelou recentemente o crescimento das ocorrências em Santa Catarina no número de homicídios e outros crimes.

— Em 2022 tínhamos 102, e em 2023 foram 107. Em tentativas de homicídio e feminicídio, subiram de 385 em 2022 para 457 em 2023. Lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica: em 2022 foram 16.530; em 2023, ocorreram 17.035 casos — diz.

A promotora também destacou o número de medidas protetivas de urgência: em 2022 foram 23.308.

Operação nacional reúne forças de segurança do Estado 

Para se ter ideia da realidade, neste mês as forças de Segurança de Santa Catarina — Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar e Polícia Científica — vão intensificar as ações repressivas e preventivas contra a violência doméstica e familiar e o combate aos crimes contra a mulher. De acordo com a delegada Patrícia Zimmermann, titular da Dpcamis do Estado, os trabalhos fazem parte da operação nacional Shamar, cujo nome, em hebraico, significa “cuidar, guardar, proteger, vigiar, zelar”. A operação partiu do Ministério da Justiça.

— Em agosto, o foco é somente mulheres. A operação anterior foi voltada aos idosos. Ainda este ano, teremos mais uma que será para coibir crimes contra crianças — explica.

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A exposição itinerante, idealizada pela psicóloga policial Clarissa Enderle, é uma iniciativa do programa Polícia Civil por Elas, desenvolvido pela Coordenadoria Estadual das Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso. Nesta edição, a campanha vai além das questões que envolvem medidas de proteção e proteção dos agressores. A intenção é discutir as condições de trabalho, educação, moradia e saúde para mulheres, direitos presentes na Lei Maria da Penha.

Veja imagens da exposição

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