Após uma semana de silêncio, o ex-diretor do Procon SC Roberto Salum se manifestou sobre a investigação de assédio sexual da qual é alvo, em que duas funcionárias do órgão buscaram a polícia para denunciá-lo pelo crime. Em vídeo, afirma que tudo não passa de armação para desviar o foco de um suposto desvio milionário que ele teria descoberto.
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Salum acusa seu antecessor no Procon, Tiago Silva, de ter desviado mais de R$ 18 milhões em multas aplicadas pelo órgão, valor este que não teria sido depositado no fundo de reaparelhamento do Ministério Público. Ele cita ter descoberto o “rombo” por meio de auditoria.
Carona e beijo à força: o que diz a denúncia de assédio sexual contra ex-diretor do Procon
— Eu pedi a auditoria, e o que veio? Um rombo quilométrico. Não entrei pra apurar desaforo, nem procurar coisa ruim, nem esperava, é apenas a minha responsabilidade de assinar documentos — começou dizendo nas imagens.
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Salum cita a existência de uma “quadrilha” que age dentro do Procon que estaria desviando dinheiro “há quatro anos ou mais”. Ainda pontua que, em menos de 30 dias, foram protocoladas 15 denúncias contra ele na Ouvidoria do Procon e que isso seria uma represália. Na polícia, há um inquérito em andamento com duas vítimas de assédio sexual e um boletim de ocorrência registrado por assédio moral.
— Primeiro dia de feriado recebi a triste notícia de que eu teria tentando beijar uma funcionária do Procon. Fiquei quatro dias amargando uma tristeza, uma armação que eu vou esperar a hora, na frente do juiz, para provar essa grande farsa — disse.
O comunicador ainda questionou o tempo levado pela mulher que alega ter sido forçada a beijá-lo para levar o caso à polícia.
— Treze dias para denunciar? Prova que a acusação de assédio faz parte de uma trama muito maior — complementa.
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Denúncia não chegou ao MP
Na gravação, Salum ainda diz que procurou o Ministério Público para denunciar os supostos desvios milionários ocorridos dentro do Procon. Ele afirma que ocupava a cadeira há 15 dias quando buscou a 27ª Promotoria para levar os documentos que comprovam o crime.
O MP confirmou à reportagem que Salum esteve, de fato, no local. Mas que, na ocasião, foram solicitadas as provas que ele dizia ter, “mas o prazo venceu sem que fossem apresentadas”.
“A requisição foi reiterada, com novo prazo. Caso seja novamente descumprido, resultará em arquivamento”, destacou a promotoria à época. Em novo contato nesta quarta-feira (3), o MP informou que até segunda-feira (1°), ele ainda não havia levado os papéis.
PGE se manifesta
Em nota, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) afirmou que denúncias foram feitas, mas em um ofício em papel, o que não é prática do governo estadual, que lida apenas com documentos eletrônicos. O ofício físico foi encontrado e registrado no sistema, e deve ser despachado. Leia a nota na íntegra:
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“Em relação às supostas denúncias feitas pelo ex-diretor do Procon de Santa Catarina, Roberto Salum, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE/SC) esclarece que um ofício de três laudas foi protocolado no dia 8 de março de 2024 em papel – fato que atrapalhou o fluxo de tramitação, já que o Estado apenas lida com documentos eletrônicos, e exclusivamente pelo Sistema de Gestão de Processos Eletrônicos (SGPe).
O documento informava apenas a suspeita de danos causados ao Fundo de Recuperação de Bens Lesados (FRBL), que é de responsabilidade legal do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
O procurador-geral do Estado localizou o documento físico, autuou um processo digital no SGPe sob o número PGE 3739/2024 e irá despachar no sentido de que o procurador-geral de Justiça, chefe do MPSC, órgão responsável pela gestão do FRBL, seja informado das alegações do ex-Diretor.”
O que diz Thiago
Em conversa com o NSC Total, Thiago Silva, que antecedeu Salum na cadeira de diretor do Procon, diz que não é de hoje que recebe acusações falsas por parte do comunicador. Inclusive, segundo ele, já havia recebido uma ligação em que Salum o questionava sobre o valor de R$ 18 milhões e afirma que em 18 de março o denunciou ao MP por calúnia e difamação.
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Tiago explica que essas multas constam em termos de compromissos aplicado a comércios e outras instituições que agiram ilegalmente e garante que não houve desvio. Para ele, o vídeo e a acusação tem como intuito “desviar a atenção das denúncias de assédio sexual”.
Em nota, Tiago diz que Salum profere “afirmações absurdas e totalmente descoladas da realidade”
“Já acionei meu advogado para ingresso da devida ação judicial, para que o ex-diretor do Procon/SC, reconhecido pela personalidade desequilibrada e sem a mínima credibilidade, responda na Justiça pela calúnia e difamação contra minha pessoa”, termina o texto.
Pelo que Salum é investigado
Um inquérito policial (IP) foi instaurado contra Roberto Salum no dia 27 de março após uma funcionária terceirizada do Procon buscar a polícia e o denunciá-lo por assédio sexual. Conforme consta no boletim de ocorrência registrado pela mulher, de 30 anos, o ex-chefe teria insistido para que ela aceitasse uma carona, mas, no meio do caminho, desviou a rota em mais de 30 quilômetros e beijou-a na boca à força.
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Formalmente, portanto, há uma denúncia por assédio sexual. Mas, nesta quarta-feira, uma segunda mulher, também terceirizada do órgão, deve prestar depoimento contra o homem. Ela também alega ter sido assediada. A declaração deve ser anexada ao IP já em andamento.
Em paralelo, de acordo com a delegada Michele Rebelo, Salum também é investigado por uma ida ao Procon em um dia de domingo. Em um segundo boletim de ocorrência do qual a reportagem teve acesso, ele é denunciado por ter ido ao órgão “com motivação de espalhar temor e grave assédio entre os funcionários”. O relato ainda cita que, na ocasião, ele teria levado dois computadores.
Além disso, no documento consta que ele “sempre anda armado, colocando a arma em cima da mesa para intimidar os funcionários”.
No vídeo, inclusive, Salum dá sua versão sobre a alegação:
— A minha arma eu botava na cadeira. Porque eu estava investigando, segurei dois computadores.
Quem é Roberto Salum
Roberto é formado em jornalismo e já atuou em programas policiais na televisão. Também já concorreu nas eleições de 2006 e 2010 para o cargo de deputado federal, mas não chegou a se eleger em nenhuma das oportunidades.
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Em 2014, concorreu ao cargo de deputado estadual, conquistou 27.920 votos e ficou na sexta suplência. Ele foi convocado e tomou posse à 18ª Legislatura (2015-2019) e ocupou uma cadeira na Alesc de 26 de julho a 28 de setembro de 2016, e entre novembro de 2017 a abril de 2018.
Em 2018, também tentou vaga no Senado e, em 2020, concorreu à prefeitura de São José. Atualmente, é filiado ao PL.
No Procon, assumiu o comando em fevereiro deste ano e foi exonerado no último sábado (30), pouco mais de um mês após assumir o cargo.