Aos 68 anos, o engenheiro civil Antônio José Santos de Moraes ficou dois meses e cinco dias à frente da Companhia Urbanizadora de Blumenau. Aposentado como funcionário de carreira da prefeitura, encarou como um desafio o retorno ao serviço público. Terça-feira, pediu exoneração. Disse que a decisão foi conjunta.
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Mas prefeitura está investigando pagamentos feitos pela URB neste período.
Jornal de Santa Catarina – Como foi a passagem pela URB?
Antônio José Santos de Moraes – O problema é que a URB tem muitos contratos deficitários, com preço abaixo de mercado, e é necessário readequar porque dão prejuízo. Então, estava discutindo com os secretários para rever isso. O prejuízo foi de R$ 450 mil para R$ 180 mil. Tinha feito um trabalho interno muito grande com o pessoal. Reduzi em 10% a folha de pagamento e estava trabalhando no clima organizacional. Eliminei 48 cargos.
Santa – O senhor queria continuar no cargo?
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Moraes – Na verdade, juntamos interesses. A URB hoje é o maior problema da administração em termos financeiros. Tem um passivo de R$ 27 milhões. É uma dívida muito alta para administrar junto ao dia a dia. Isso estava me deixando muito desgastado. Também havia uma dívida com empresas de Blumenau de R$ 1,5 milhão.
Santa – Que pagamentos você fez enquanto estava no cargo?
Moraes – Pagamos em torno de 10% para aquelas empresas fornecedoras da URB. O prefeito me questionou a aplicação de um decreto que pede desconto ao pagar dívidas do ano passado. Mas a URB não fez nenhum pagamento depois do decreto, que saiu dia 5 de fevereiro. O prefeito não me tirou do cargo. Eu solicitei. Conversei com ele, falei das dificuldades e não senti uma resposta pronta da administração para resolver os problemas financeiros da URB. Disse, ?então, vamos encurtar o assunto, o momento é da gente juntar os interesses e eu sair?.
Santa – Que empresas o senhor pagou?
Moraes – As pedreiras, o pessoal de artefatos. Foi pago R$ 130 mil de uma dívida de R$ 1,5 milhão. Foram umas 10 empresas.
Santa – O senhor é proprietário de alguma empresa?
Moraes – Não. Era engenheiro responsável técnico da Módulo ano passado. Não tem como ser responsável técnico de uma empresa e assumir outro cargo.
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Santa – Essa empresa presta serviços ao município? Recebeu pagamentos feitos pelo senhor fez?
Moraes – Prestou serviços ano passado. Tinha valores a receber da URB e arrecadou 10% do valor, assim como as demais empresas. Tinha mais de R$ 120 mil a receber e foi pago R$ 10 mil, eu acho.
Santa – O senhor trabalha na empresa?
Moraes- Não, não trabalho mais.
Santa – O prefeito lhe cobrou pelo pagamento a essa empresa?
Moraes – Não, não. Ele cobrou a aplicação do decreto.