Santa Catarina é um potencial industrial, mas, ainda enfrenta dificuldades de desenvolvimento devido aos altos custos logísticos — em especial, devido à precariedade das rodovias. O tema foi levantado durante o Painel Move SC, realizado na segunda-feira (2) em Chapecó, cujo objetivo foi debater os desafios e avanços do cenário logístico de Santa Catarina.
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Move SC: Confira os principais insights do painel sobre a logística catarinense
Participaram da conversa o presidente da Câmara de Transporte e Logística da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), Egídio Antônio Martorano, o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas da Região de Chapecó (Sitran), Ivalberto Tozzo, e Ricardo Pinto de Souza, diretor de logística da Aurora Coop, com a condução de Letícia Ferrari, jornalista da NSC e participação do colunista da NSC, Ânderson Silva.
Problemas de infraestrutura afetam desenvolvimento
De acordo com o presidente do Sitran, a principal demanda que impacta todas as etapas da logística catarinense é a melhoria das rodovias. Ele afirma que melhores vias facilitariam o acesso a outros estados, além de permitir que a mercadoria chegue com mais facilidade a portos e outros modais que conectam o Brasil com o mundo.
O especialista comentou que, muitas vezes, é necessário fazer cinco a dez viagens para suprir essas manutenções. Ele também destaca que o mercado tem exigido valores de frete mais altos, o que impacta no produto e diminui o cenário competitivo catarinense. A solução é investir em melhorias, que a longo prazo, resultariam em redução dos custos e otimização das rotas.
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Ainda segundo Ivalberto, o Oeste de Santa Catarina, por muitas vezes, acaba esquecido diante do cenário nacional. Pequenas melhorias tem sido feitas, mas elas ainda não são suficientes para suprir as demandas da cadeia logística.
Estado sofre impactos externos
Já Ricardo Pinto de Souza comenta que Santa Catarina enfrenta também impactos no custo do frete, relacionados a demandas externas, como as Guerras, o impacto do Mar Vermelho, a greve dos portuários dos Estados Unidos e o Canal do Panamá. Mesmo diante dos fatores desfavoráveis, ele destaca a eficiência do estado, cuja característica é oferecer condições bastante competitivas no cenário mundial.
— O mercado precisa que você seja competitivo. O cliente não olha para as condições da sua estrada, e sim, para o nível de eficiência e competitividade dos seus produtos. — reforça o profissional.
Ricardo destaca, ainda, que os investimentos necessários para revitalizar as rodovias de Santa Catarina são pequenos quando comparados aos impactos no desenvolvimento econômico que as obras gerariam. Segundo ele, melhores rodovias resultariam em menores custos, o que, por consequência, contribui para a redução no custo dos produtos.
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Concessões públicas como alternativa
Egídio, especialista em logística do Fiesc, trouxe para debate dos profissionais a participação das concessões públicas e das Parcerias Político Privadas (PPPs) na melhoria da malha de asfalto catarinense. Segundo ele, essa alternativa contribui para suprir a demanda sem depender do Poder Público — que, muitas vezes, é impactado por burocracias ou erros de gestão.
Ânderson Silva, colunista da NSC, destaca que Santa Catarina cresceu e se desenvolveu para além da própria infraestrutura. Já o presidente da Câmara de Transportes da Fiesc comenta que essa é uma demanda prioritária, já que pode impactar diretamente o andamento do desenvolvimento socioeconômico do estado.