O polêmico fundo eleitoral, chamado também de “fundão”, é o responsável pela maior fatia de recursos usados nas campanhas para as eleições de 2020 em Santa Catarina. Conforme dados levantados pela reportagem do Diário Catarinense com base nas prestações de contas de todos os candidatos catarinenses, o fundão já injetou R$ 24 milhões na corrida eleitoral.
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No entanto, a distribuição desigual dessa fatia mostra a valorização de poucas campanhas no Estado. De todos os candidatos a prefeito e vereador em Santa Catarina este ano, somente 8% receberam até agora algum dinheiro dos partidos políticos para a campanha. Entre os prefeitos, 339 dos 917 declararam alguma verba partidária, e entre os 20 mil candidatos a vereador somente 1.527 receberam uma ajudinha da sigla na corrida.
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Somando o fundão aos recursos vindos diretamente dos partidos, os repasses feitos pelas siglas representam pouco mais de R$ 25 milhões – 44,7% de tudo que foi arrecadado pelas campanhas até agora. Os números têm como base as declarações entregues pelos candidatos até o dia 25 de outubro, quando terminava o prazo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a primeira prestação de contas. Recursos próprios dos candidatos representam 23%, enquanto doações de pessoas físicas são 28,5% das arrecadações.
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Os números mostram que o fundo eleitoral, maior fatia desse bolo, está servindo apenas a algumas poucas candidaturas prioritárias para os partidos. Em 92 cidades catarinenses, por exemplo, nenhum candidato a prefeito recebeu verba partidária para usar na campanha.
– Aquele volume de recursos parecia uma loucura (do Fundão), que de fato é muito dinheiro, mas no ponto de chegada ele acaba se distribuindo de tal forma que não tem recurso para todo mundo. Existem muitos pequenos municípios em Santa Catarina, pouquíssimos são considerados médios, então não vai ter uma distribuição equitativa, porque seria irrisória para dividir entre todos – avalia o cientista político e sociólogo Sérgio Saturnino Januário.
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Foco nas maiores cidades do Estado
Conforme os dados do TSE, o candidato em Santa Catarina que mais recebeu verba partidária para a eleição é o atual prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (DEM), que declarou R$ 1 milhão do fundo.
Na sequência vem outro candidato da Capital, Pedrão (PL), que recebeu R$ 800 mil. O candidato Assis (PT), de Joinville, declarou R$ 745 mil vindos do partido, e em Florianópolis o candidato Elson Pereira (PSOL) recebeu R$ 659 mil da sigla.
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A lista dos cinco maiores beneficiados termina com um nome de Blumenau: o candidato João Paulo Kleinübing (DEM), que recebeu R$ 500 mil, com origem do diretório municipal da sigla. O valor diz respeito a doações de pessoas físicas centralizadas pelo partido, e não tem ligação com o fundão.
Embora tenha dois nomes entre os mais beneficiados, o DEM é o quarto partido que mais injetou verba na corrida para as prefeituras de Santa Catarina. Quem lidera a lista é o MDB, com quase R$ 4 milhões, seguido pelo PSL com R$ 2,5 milhões e o PL com R$ 2,4 milhões.
Já nas campanhas de vereadores, o partido que mais investiu em Santa Catarina foi o PSL do governador afastado Carlos Moisés. A sigla distribuiu pouco mais de R$ 1 milhão para candidatos a vereador até agora. Em seguida vem o PSOL com R$ 749 mil, o MDB com R$ 512 mil e o PSB com R$ 434 mil.
Divisão deste ano mira disputa em 2022, avalia especialista
Para o consultor político Sérgio Saturnino Januário, a divisão para as eleições deste ano já foi feita de olho no pleito de 2022, pensando na formação de bases eleitorais para deputados, senadores e governadores.
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– Você concentra mais energia de campanha onde tem mais público eleitoral. Como temos muitos municípios pequenos, eles não formam essa atração. Em Santa Catarina você tem cinco ou seis cidades que dão suporte para a campanha de um governador ou deputado. É a região de Itajaí, Blumenau, Joinville, Criciúma, Florianópolis e um pouco Chapecó. Nessas regiões os partidos concentram as campanhas.
Próxima eleição deve ter concentração de verba
Saturnino levanta também a questão de que o cenário do fundo eleitoral deve mudar nas próximas eleições, com a tendência de uma diminuição no número de partidos. Com o fim das coligações e com a cláusula de barreira para acesso ao fundão – que se baseia na representatividade da sigla no Congresso – o especialista acredita que 2020 pode ser o último pleito com esse cenário:
– Vai depender da capacidade dos partidos. Temos uma imensidão de partidos e alguns vão ficar em banho-maria para depois evaporar. Alguns não terão vereadores e vão perder campo de existência. Na próxima eleição teremos menos partidos, aí podemos ter uma concentração maior e distribuição de verba mais adequada.
ATUALIZAÇÃO: até as 9h50min deste sábado (7) o gráfico “Quem mais recebeu” informava que os valores na lista eram referentes ao fundo eleitoral. Na realidade, os dados do TSE trazidos no gráfico e na reportagem são uma soma de todas as verbas com origem partidária, não somente o fundo. É o caso do candidato João Paulo Kleinübing (DEM), citado na matéria mas que não recebeu repasses do fundo eleitoral, apenas do diretório da sigla em Blumenau através de doações. O texto foi corrigido.
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