A economia gaúcha andou para trás em 2015. Conforme dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE), divulgados na manhã desta quarta-feira, o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado encerrou o ano passado com queda acumulada de 3,4% em relação a 2014.

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Durante entrevista coletiva sobre o levantamento, o coordenador do Núcleo de Contas Regionais da FEE, Roberto Rocha, sublinhou que a baixa foi a maior desde 1995, quando chegou a 5%, segundo números da fundação.

— É uma baixa expressiva. Há 20 anos que não acontecia. Está associada à questão nacional — avaliou Rocha.

O resultado de 2015 só não foi pior graças ao bom desempenho do setor agropecuário, que apresentou alta de 13,6%. O avanço foi impulsionado pela produção de soja, que cresceu 20,4% graças ao aumento do preço em reais e às condições meteorológicas adequadas.

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Segundo a FEE, com exceção do ramo agropecuário, os outros dois setores da economia do Estado registraram baixas no ano passado. As perdas da indústria chegaram a 11,1%, conforme o levantamento. Nesse setor, houve quedas de 13,5% na indústria de transformação, de 6,6% na construção e de 5,2% na indústria extrativa.

Os serviços, por sua vez, recuaram 2,1% em 2015. Teve destaque negativo nessa atividade a baixa do comércio, que atingiu 10,3% — impulsionada pelo encolhimento de 27,9% da venda de veículos.

Os recados da comparação do PIB nacional com o estadual

— Na medida em que há mais adultos e idosos, as famílias destinam mais dinheiro para a compra de remédios — explicou o coordenador.

Exportações: uma válvula de escape em meio à turbulência

Apesar de ter encerrado 2015 no vermelho, a economia gaúcha, ressalta a FEE, não teve desempenho pior do que a nacional – em 2015, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB brasileiro encolheu 3,8%. Os números divulgados nesta quarta-feira incorporam mudanças conceituais e metodológicas realizadas nas Contas Nacionais. Por isso, permitem a comparação com as estatísticas de todo o país.

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Ao avaliar o resultado de 2015, o presidente da FEE, Igor Morais, salientou que a situação gaúcha está interligada aos desdobramentos da economia brasileira. O Fundo Monetário Internacional (FMI) passou a prever uma contração de 3,8% do PIB nacional em 2016, enquanto analistas de mercado ouvidos pelo Banco Central estimam baixa de 3,77% ao final deste ano.

— A gente segue o Brasil, a não ser que haja um evento não previsto, como uma seca, por exemplo — relatou.

Morais acredita que as exportações gaúchas para destinos como a Argentina podem ser uma alternativa para ao menos minimizar os efeitos do cenário de recessão no país.

— As exportações sempre foram uma saída — resumiu.

No relatório divulgado nesta quarta-feira, a FEE destaca ainda que a arrecadação de impostos registrou queda expressiva de 8% em 2015, o que refletiu diretamente nas condições financeiras do Estado.

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— A agropecuária, que se destacou em 2015, paga menos impostos. Até porque muito do que é produzido é exportado e tem isenção — observou Rocha.

Em 2014, no acumulado do ano, o PIB gaúcho havia apresentado variação nula frente a 2013, conforme levantamento divulgado pela Fundação de Economia e Estatística.

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