O diploma de conclusão no curso de Medicina apresentado por Guilherme Cordeiro Souza Santos, de 41 anos, ao Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC), em uma tentativa de obter um registro de médico, está sendo analisado por uma perícia, segundo a Polícia Civil. O homem chegou a ser preso em flagrante por uso de documento falso no dia 17 de janeiro, mas foi solto em uma audiência de custódia no dia seguinte.

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O delegado Pedro Henrique de Paula e Silva Mendes confirmou que a investigação pela Polícia Civil já foi encerrada, e que aguarda apenas a conclusão da perícia do diploma para enviar o inquérito ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). Segundo ele, cabe ao judiciário fazer a denúncia. A análise leva cerca de dez dias úteis.

Em depoimento, Guilherme disse que não sabia que o diploma era falso, que cursou em uma universidade do Paraguai e que, ao fazer o Revalida no Brasil, o entregaram o documento falso.

De acordo com o CRM-SC, o homem não apresentou o documento que comprovava a formação em universidade estrangeira, “tampouco documento respectivo de revalidação”. Na última semana, a defesa dele disse que ele realizou a formação acadêmica em uma universidade no exterior.

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A defesa de Guilherme não informou em qual instituição de ensino o acusado cursou, mas em um perfil de uma rede social, ele alega ter estudado na Universidad Central Del Paraguay em 2011.

O CRM-SC informou, ainda, que não há prazo para a apresentação de um novo documento porque, para o órgão, ele não é médico, já que não completou o processo de registro. Como Guilherme diz ter se formado no exterior, ele precisa apresentar o diploma da universidade e o diploma revalidado no Brasil. Para isso, ele precisa fazer o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida).

O exame é constituído por três provas, sendo elas objetivas, discursivas e práticas, e tem como objetivo verificar se o candidato possui conhecimentos, habilidades e competências necessárias para exercer a profissão no Brasil.

O que diz a defesa

Em nota divulgada na quarta-feira (22), Jennifer Couto, advogada do suspeito, disse que a acusação de “falso médico” é “inverídica, uma vez que não se trata de falso médico, pois o exercício da profissão de médico aguarda registro no Conselho Regional de Medicina”.

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A defesa de Guilherme ainda disse que deve entrar com medidas cabíveis para “reparação civil dos danos”. Para a advogada, como o homem não exerce a Medicina no Brasil, “não se trata de falso médico, como indevidamente noticiado”.

O CRM-SC, por outro lado, destaca que o termo foi utilizado pela falsidade do diploma apresentado por Guilherme no momento em que tentou conseguir o registro de médico.

Em uma nota tentativa de contato do NSC Total, a defesa não respondeu se o acusado pretende fazer as provas do Revalida.

Relembre o caso

A tentativa de registro aconteceu na tarde do dia 17 de janeiro, na sede do CRM-SC, em Florianópolis. Guilherme apresentou um diploma de conclusão de curso de uma universidade do Rio de Janeiro, onde havia inconsistências conferidas pelo órgão. A universidade e o próprio CRM-RJ foram contatados e não reconheceram o diploma.

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O CRM-SC acionou a polícia, que também identificou que o QR Code que consta no documento direciona para um site aleatório, e não para o site de validação da universidade apresentada. Ele foi conduzido à Delegacia de Polícia

Como é feita a revalidação

De acordo com o CRM-SC, pessoas que se formaram em Medicina fora do Brasil devem apresentar o diploma que comprove a colação de grau. As informações são confirmadas por meio de ofício junto às universidades, tanto estrangeira quanto a revalidadora.

No caso de Guilherme, o diploma da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, apresentado como uma revalidação, não era verdadeiro, já que a própria instituição confirmou que ele não se formou na universidade.

Veja fotos de Guilherme Cordeiro

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