Refrigerantes, sucos de caixinha, energéticos… o doce na boca pode vir acompanhado de uma notícia amarga. Um em cada dez novos casos de diabetes tipo 2 — quando o corpo desenvolve resistência à insulina — está relacionado ao consumo de bebidas adoçadas. As informações são do g1.

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O estudo foi publicado nesta semana na revista Nature e analisou dados globais sobre a doença em 2020, abrangendo 184 países.

De acordo com os especialistas, essas bebidas são digeridas rapidamente, causando um pico nos níveis de açúcar no sangue. Ao longo do tempo, o consumo regular leva ao ganho de peso, à resistência à insulina e a uma série de problemas metabólicos ligados ao diabetes tipo 2 e às doenças cardíacas.

As duas doenças estão entre as maiores causas de morte no mundo e, ao todo, o consumo de bebidas açucaradas é responsável por 340 mil mortes anuais no mundo.

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A pesquisa aponta que 2,2 milhões de novos casos de diabetes tipo 2 estão associados ao consumo desse tipo de bebida, o que representa 9,8% dos casos globais. Além disso, 1,2 milhão de novos casos de doenças cardiovasculares estão ligados às bebidas açucaradas, o que equivale a um em cada 30 casos.

A realidade brasileira

Não são apresentados dados específicos do Brasil, mas o estudo mostra que os maiores índices estão na África Subsaariana e na América Latina. O resultado da união dos dados da América Latina com os do Caribe mostrou que 24% dos novos casos de diabetes e 11% dos novos casos de doenças cardiovasculares estavam relacionados ao consumo de bebidas açucaradas nessas regiões.

Informações do Ministério da Saúde brasileiro apontam que as doenças estão na liderança das causas de morte no país. De 2010 a 2021 a diabetes matou mais de 750 mil pessoas no Brasil. Já os óbitos por problemas cardíacos representam 30% dos óbitos totais.

Impostos mais altos

A análise vem acompanhando a evolução de casos e mortes desde 1990. No caso do México, que tem os maiores índices, os dados mostraram uma redução nos últimos anos. De acordo com os pesquisadores, isso está relacionado aos impostos mais altos sobre esse tipo de produto, adotados pelo país desde 2014.

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No Brasil, a Câmara aprovou no fim de 2024 a proposta do governo federal que impõe taxas de imposto maiores sobre esses produtos. A medida está prevista para começar a valer em 2026.

“Precisamos de intervenções urgentes e baseadas em evidências para reduzir o consumo de bebidas açucaradas globalmente, antes que ainda mais vidas sejam encurtadas por seus efeitos sobre diabetes e doenças cardíacas”, diz Laura Lara-Castor, uma das autoras da pesquisa e membro da Universidade de Washington.

Apesar de robusto, o estudo tem limitações. Os especialistas apontam que se trata de uma pesquisa observacional, o que significa que as descobertas não estabelecem uma conexão definitiva entre o consumo de refrigerantes e as doenças.

*Sob supervisão de Andréa da Luz

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