A denúncia de assédio contra o vereador Marquinhos Silva (PSC), em Florianópolis, que beijou a parlamentar Carla Ayres (PT) durante uma sessão em dezembro de 2022 foi aprovada pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Vereadores. O texto deve ser votado na próxima segunda-feira (14). As informações são do g1.
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Em vídeo divulgado nas redes sociais é possível ver Marquinhos abraçando e beijando Carla à força em meio ao plenário. O documento da denúncia afirma que o caso se caracteriza como violência política contra a mulher e pede a cassação do mandato do político.
Em sua defesa, o vereador admitiu que a ação foi “descortês”, mas diz que “é desproporcional e desarrazoado associar a conduta à de uma pessoa que comete um crime repugnante desta natureza”. Marquinhos também afirmou que a conduta não atenta contra o decoro parlamentar, mas deve ser visto como um deslize.
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A relatora do caso, Maryanne Mattos (PL), entendeu que houve “conduta inconveniente” do vereador. Ao g1, ela afirmou que entende que a advertência prevista é “uma punição absolutamente branda diante da gravidade” do caso.
Veja abaixo o que diz a relatora
“A vereadora entende que se trata de una punição absolutamente branda diante da gravidade do caso onde evidentemente ficou comprovada a quebra de decoro. A forma como as imagens ganharam projeção nacional e internacional, inclusive, demonstram que a sociedade de modo geral repudiou a atitude do parlamentar. Inúmeras instituições manifestaram apoio à vereadora Carla Ayres e cobraram a cassação do parlamentar, inclusive a ministra da Mulher, Cida Gonçalves, quando esteve na Câmara Municipal de Florianópolis, em abril deste ano.
Na denúncia que apresentou ao Conselho de Ética, a vereadora Carla Ayres pedia a punição mais grave, que é a cassação por quebra de decoro parlamentar. Mesmo tendo entendido que houve a quebra de decoro, 4 dos 5 membros do Conselho de Ética optaram pela punição mais leve. Ora, se houve a quebra de decoro, se as imagens geraram revolta e indignação e motivaram dezenas de instituições a cobrarem a cassação do parlamentar, a Câmara Municipal de Florianópolis, como esfera representativa da sociedade, teria o dever de dar uma resposta contundente no sentido de preservar esse decoro no legislativo municipal.
Que mensagem estamos passando para a população? Como podemos incentivar a participação das mulheres na política, se elas não podem se sentir seguras neste espaço? A sociedade não tolera mais a violência contra a mulher e o Conselho de Ética perdeu uma oportunidade única de dar um exemplo ao Brasil, justamente no agosto lilás, campanha em alusão ao combate à violência contra as mulheres.“
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