Florianópolis despediu-se neste sábado (24) de um dos seus filhos mais ilustres, o comerciante aposentado Erasmo João Antunes. O homem que inspirou o nome do Trevo do Erasmo, obra viária no sul da Ilha, morreu na madrugada de sábado, aos 101 anos.

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Seu Erasmo estava internado no Hospital de Caridade devido a uma pneumonia. Às 2h45min, a acompanhante que estava ao lado percebeu que a respiração perdia força. Seu Erasmo, que recentemente havia dito aos familiares que estava satisfeito com a vida e pronto para partir, apagou-se como a chama de uma vela, sem aparentar sofrimento, de forma serena.

Seu Erasmo faleceu aos 101 anos

Em março deste ano, por ocasião do aniversário de Florianópolis, seu Erasmo concedeu-me uma entrevista. Se declarou um privilegiado por ter uma saúde boa e ser longevo, mas também por receber em vida uma homenagem que grafou seu nome numa obra feita para facilitar o cotidiano dos moradores do Sul da Ilha. Explicou ter nascido em agosto de 1923, numa casa no Alto Ribeirão, à época uma pequena comunidade distante do Centro da cidade.

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Com uma Kombi, o comerciante viajava para São Paulo, de onde trazia até tecidos, um diferencial entre os concorrentes próximos

Foi uma vida de muitos desafios. Devido à saúde delicada, Erasmo foi poupado do trabalho na roça. Com 10 anos, o pai decidiu abrir uma porta e vender algumas mercadorias. Daria ao menino a oportunidade de entrar em contato com o público, algo de que sempre gostou e que resultaria numa trajetória de décadas.

Dono de uma carroça e dois cavalos, marcou seu cotidiano em busca de produtos entre o Sul e o Centro da cidade. Sem perder a essência da atividade: servir aos moradores. Se inicialmente usava tração animal, aos poucos foi se adaptando às exigências: teve uma camionete e uma Kombi, com a qual passou a viajar para São Paulo, de onde trazia até tecidos, um diferencial entre os concorrentes próximos.

Em 1942, começou a pagar o Instituto de Aposentados e Pensionistas de Transportes de Cargas (IAPETEC) e, devido à bronquite insistente, se aposentou em 1952. Para pagar o IAPETEC era necessário ser proprietário ou trabalhar com transporte de cargas.

Erasmo casou-se duas vezes e deixa uma família extensa, com filhos e filhas, netos e bisnetos. Apesar da dor pela perda, ficam na memória os bons exemplos deixados por seu Erasmo. Seu nome está marcado na cidade que viu crescer, sendo inclusive nome de linha de ônibus. O corpo foi cremado.

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