Casé Henrique, o Casé, se diz mais catarinense do que carioca. Nascido no Rio de Janeiro, o cantor, compositor, escritor e colunista cultural escolheu um condomínio na Passagem do Maciambu, em Palhoça, na Grande Florianópolis, para morar, se inspirar e dar prosseguimento a uma carreira artística nascida nos tempos de menino. No espaço que divide com os filhos e o cachorrinho Enzo, outra paixão: a coleção de vitrolas.

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— A primeira, chamada de ‘cinquentinha’ por causa do ano de fabricação (1950, Philips), segue original. Todos os cerca de 20 aparelhos funcionam perfeitamente — explica Casé, enquanto mostra os modelos com tamanho e cores diferentes e a maioria movida a pilha.

A coleção do aparelho inventado por Thomas Edison (final do século XIX), muito popular no Brasil a partir dos anos 1960, já foi maior. Mas Casé preferiu ficar com as vitrolas que tinham a ver com a sua própria história.

Tecnicamente, existe uma pequena diferença entre vitrola e toca-discos: a saída do som. A primeira é um único aparelho unindo prato giratório e caixa de som, enquanto o segundo separa as duas funções.

A relação de Casé com a música começou aos seis anos, quando num pequeno toca-discos começou a ouvir Maria Creuza, Maysa, Claudette Soares, entre outras grandes vozes femininas da música brasileira. Dona Estrella, a mãe, que era agente policial, ouvia das vizinhas do apartamento que o hábito era estranho para um menino tão pequeno.

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— Eu achava o volume baixo e achei um jeito de melhorar a acústica: deitava-me no chão e botava a caixa de som da vitrola perto da parede. Enquanto isso, as mulheres da vizinhança achavam que eu devia estar lá fora jogando bola e brincando como as outras crianças — recorda Casé.

Vinil, CD e coletânea em plataformas digitais de streaming

Nem só de discos em vinil e CDs se faz a vida do cantor. No ano passado, Casé lançou uma coletânea com 11 canções disponíveis em plataformas digitais de streaming, com músicas autorais e obras de compositores como Taiguara (“Ave Menina” e “Levante do Borel”) e Claudio Freire (“Brasileiro, Sim Senhor”).

Entre as músicas próprias, estão “Em Plena Contramão”, “Acerto de Contas” e “Julia (Te Amo Mais)” com a participação especial de Claudette Soares. Por falar na diva, ano passado ela também gravou dueto com Chico Buarque de Hollanda.

São quase 40 anos de carreira com apresentações em casas noturnas e teatros. Casé foi destaque nos auditórios da Rádio Nacional, ao lado de veteranos como os artistas do grupo Demônios da Garoa, e do Zimbo Trio. Um dos pontos altos da trajetória musical veio em 1995, quando foi convidado pela Associação Elis em Movimento a participar do espetáculo “Elis, 50”, em homenagem ao cinquentenário da cantora Elis Regina.

— Sou Elis maníaco — avisa.

Casé já fez música para homenagear Palhoça, uma saudação à cidade que o acolheu, onde destaca suas belezas naturais. Também montou a rádio Maramar Web com o sugestivo slogan ‘Aqui você ouve o que as outras não tocam mais” e com vinhetas especialmente gravadas por Lucinha Lins, Claudette Soares, Marquinhos Moura, entre outras vozes da MPB.

— Quem quiser me conhecer um pouco mais me encontra nas redes sociais e nos aplicativos de música — sugere Casé.

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Nome artístico

Casé foi funcionário público na prefeitura do Rio de Janeiro. Atuava no setor administrativo da Secretaria Municipal de Saúde. Nos anos 1980 e 1990 acolhia pessoas em situação de vulnerabilidade, como infectados pelo HIV, o vírus da Aids.

Na época, havia muita desinformação. Foi dali que nasceu o nome artístico Casé Henrique. Identificado como “Henrique da Aids”, decidiu encontrar um outro nome que não carregasse a palavra Aids e tornasse a atividade mais humana. No Centro Municipal de Saúde batizou a Sala da Vida, onde recebia os pacientes.

— Eu beijava as meninas, eu abraçava os maridos delas. Eu não discriminava ninguém e procurava fazer um trabalho de inclusão social, até mesmo nos meus shows. Acabei virando o Casé Henrique — explica.

Veja imagens de Casé Henrique e sua coleção de vitrolas


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