Por quase uma década, Gisèle Pelicot viveu um pesadelo oculto em sua própria casa. Dopada pelo marido, Dominique Pelicot, ela foi vítima de uma rede de estupros em série organizada por ele. O caso, que abalou a França e chamou a atenção do mundo, revela não apenas a crueldade do agressor, mas também as falhas nas plataformas digitais que facilitaram os crimes.

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A condenação de Dominique e de outros 50 homens envolvidos não só expõe a gravidade dos atos, como traz à tona debates urgentes sobre consentimento, violência de gênero e a responsabilidade coletiva na prevenção de abusos.

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Gisèle e Dominique ficaram casados por 50 anos, mas, conforme revelado pelas investigações, ela foi drogada por pelo menos 10 desses anos. Em 2020, o pesadelo veio à tona quando Dominique foi preso por importunação sexual, momento em que as autoridades descobriram os crimes brutais que ele havia cometido contra a própria esposa.

Entenda a condenação de Dominique Pelicot

A condenação histórica de Dominique Pelicot

Dominique Pelicot, acusado de drogar sua esposa durante uma década para estuprá-la ao lado de dezenas de desconhecidos, foi condenado à pena máxima de 20 anos de prisão. O julgamento, que durou mais de três meses, também revelou que Dominique foi culpado por gravar a própria filha e a nora nuas. O caso, que chocou a França, tornou-se um marco na luta contra a violência de gênero.

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A sentença dos cúmplices

Além de Dominique, 50 homens julgados por estuprar a esposa dele também foram condenados, mas receberam penas mais brandas, de até três anos de prisão. A Justiça considerou que eles não sabiam que a vítima estava sob efeito de sedativos, o que influenciou a redução das sentenças. Um dos acusados, considerado foragido, segue sendo procurado pelas autoridades.

O discípulo de Pelicot

Entre os réus, Jean-Pierre M., considerado discípulo de Dominique, recebeu 12 anos de prisão. Ele foi acusado de usar métodos semelhantes aos de Pelicot, drogando sua própria esposa e convidando Dominique para participar dos abusos. Jean-Pierre foi o único réu que não participou diretamente dos crimes contra Gisèle.

A coragem da vítima e o apoio popular

Do lado de fora da Corte, manifestantes exibiram cartazes em apoio à vítima. Mensagens como “Todas as mulheres do mundo apoiam você” e “Obrigada, Gisèle” destacaram a solidariedade do público. Gisèle optou por tornar o julgamento público, argumentando que vítimas não devem sentir vergonha. Ela acredita que sua história pode inspirar outras mulheres a denunciarem abusos.

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O pedido de desculpas de Dominique

Durante o julgamento, Dominique pediu desculpas à esposa e elogiou sua coragem. “Lamento o que fiz, fazer minha família sofrer por quatro anos. Peço perdão”, disse ele, referindo-se ao período desde que os crimes vieram à tona. No entanto, Gisèle afirmou que jamais perdoará o ex-marido, de quem se divorciou. Os três filhos do casal também repudiaram o pai, pedindo uma punição severa e declarando que o consideram morto.

Reflexões e mudanças esperadas

O caso Pelicot reacendeu debates sobre a definição de consentimento na legislação francesa. Especialistas acreditam que o julgamento pode levar à inclusão dessa noção como critério central na tipificação legal do estupro. A vítima destacou a importância de abordar publicamente esses temas para combater o silêncio em torno da violência sexual.

Um crime que abalou o país

Ao todo, 51 homens foram acusados no caso, com idades entre 26 e 74 anos e origens diversas, representando diferentes classes sociais e profissões. Entre eles, 14 admitiram participação nos crimes, incluindo Dominique. A filha do casal também suspeita que foi drogada e abusada pelo pai, ampliando as dimensões deste caso chocante.

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