Mudar de país aos 45 anos não estava nos planos de Gerusa Bencke, uma ex-moradora de Joinville. Entretanto, a farmacêutica precisou tomar uma decisão para que o filho mais velho tivesse mais chances para alcançar o sonho de ser jogador de futebol. Após uma adaptação complicada, Gerusa empreendeu no ramo da limpeza, em que obteve muito sucesso, e atualmente é conhecida como a “Doutora Faxina” graças ao seu recente livro lançado.
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Apesar de ser natural de Criciúma, no Sul catarinense, foi em Joinville que Gerusa estabeleceu sua vida. Junto com seu marido, a catarinense abriu duas farmácias na maior cidade do Estado, estabilizou financeiramente a carreira e construiu sua família.
Veja fotos de Gerusa e sua família:
Mesmo com dificuldades nas empresas, enfrentadas na época, a decisão de ir para os Estados Unidos foi, principalmente, motivada pela carreira do filho mais velho de Gerusa. Atualmente com 25 anos, Gabriel jogou na base do Joinville Esporte Clube (JEC) por algum tempo e buscava pela profissionalização no futebol. Algumas tentativas frustradas do jovem motivaram a farmacêutica e seu marido a buscar alternativas fora do Brasil.
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— Após um mês em Foz do Iguaçu para jogar bola, ele não se adaptou e voltou para Joinville. Foi nessa época que meu marido falou que realmente tínhamos que pesquisar para o Gabriel (filho de Gerusa) poder jogar fora do país. E aí foi esse o motivo inicial que fez com que a gente alavancasse mesmo e saísse. Mas eu profissionalmente estava super bem realizada, sou farmacêutica já há mais de 27 anos — relembra.
Segundo a catarinense, foram dois anos de preparação até a mudança definitiva em 2019. O estado da Virgínia, nos EUA, foi o local escolhido pela família, já que tinham alguns amigos brasileiros morando na região.
— Eu tinha um amigo de infância que morava na mesma cidade onde eu estou atualmente. Ele mandou algumas reportagens daqui da região com testes feitos nas faculdades, de time de futebol, e ele falou “Olha, as oportunidades aqui estão se abrindo muito para o futebol brasileiro. Então eu acho que ele (filho de Gerusa) vai ter muita chance de fazer teste aqui”, e foi então que a gente veio para cá — explica.
Uma chegada frustrada nos Estados Unidos
A catarinense revela que enfrentou diversos desafios durante o processo de adaptação, como problemas de saúde, falhas na documentação e a pandemia do coronavírus. Gerusa relata que seu psicológico ficou muito abalado, pois tinha dificuldade de aceitar a nova vida.
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— Eu acabei me frustrando, porque todas as oportunidades que a gente imaginou que logo no início conseguiríamos não foram fluindo da maneira correta. Isso, principalmente, porque a pandemia da Covid começou mais ou menos 10 meses depois que nós chegamos. Então os cursos que eu entrei para poder abrir a licença na minha área de estética e fazer meu curso de inglês paralisaram — conta.
Além disso, Gerusa e seu filho mais novo, João Vitor, com 13 anos na época, não falavam inglês e se sentiram limitados. Como mãe, este foi um período difícil, pois o adolescente sentia falta dos amigos e não conseguia se adaptar à nova escola.
— Isso deixava ele muito triste e eu acabava ficando mais triste por causa dele, porque eu pensava que era a culpada, por ele estar aqui e ter que estar passando por isso. Mas, mesmo apesar das dificuldades, hoje eu vejo como foi bom para ele. O João realmente cresceu muito, hoje ele é bilíngue, fala fluentemente, e já tem um trabalho — afirma.
Por outro lado, o filho mais velho de Gerusa se adaptou rapidamente e se encaixou na nova vida sem muita dificuldade. Atualmente, ele já é casado e vive nos Estados Unidos sem pretensão de retornar ao Brasil, já que, além de construir sua própria família, ainda persiste no sonho de ser jogador de futebol.
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Durante algum tempo, a farmacêutica precisou se reinventar financeiramente e exerceu diversas funções. Após um curso de culinária, Gerusa vendia pudins e pão caseiro. Além disso, prestou serviços de limpeza e, graças a sua formação em Farmácia, também atuou aplicando injeções e fazendo alguns tratamentos estéticos em imigrantes brasileiros. Entretanto, a catarinense se sentiu sobrecarregada e enfrentou alguns problemas psicológicos.
Neste momento, ela resolveu investir em um negócio próprio e criou sua empresa no ramo da limpeza, onde obteve muito sucesso.
— Em menos de três meses, a empresa cresceu quatro vezes. Hoje, eu tenho até mais do que o triplo de clientes. Eu acabei colocando pessoas para trabalhar para mim. Posso falar que hoje já não dependo de estar no trabalho manual, estou só no administrativo — destaca.
A trajetória virou livro
Em paralelo, após enfrentar o início de uma depressão e o desenvolvimento de crises de ansiedade e pânico, Gerusa encontrou nas palavras uma forma de terapia. Assim, ela iniciou um curso de escrita.
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O desejo de escrever sobre sua experiência durante a mudança de país e transição de carreira a inspirou a escrever o livro “O castelo das oito mulheres”, lançado em novembro de 2024.
— Como eu tenho um conhecimento bíblico, foi fazendo sentido para mim colocar algumas mulheres que emocionalmente também tiveram trajetórias bem fortes na bíblia. E aí eu coloquei algumas mulheres dessa no livro e descrevi comparando com as minhas emoções — relata.
A catarinense explica que o título do livro surgiu com um significado especial e metafórico, sendo que as oito mulheres representam as oito versões de si mesma.
— “O castelo das oito mulheres”, porque eu nasci no dia oito de outubro, então o número oito para mim é muito significativo. E eu achei nas figuras das oito mulheres que eu descrevi, as oito faces de mim — explica.
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Ainda em paralelo com suas próprias experiências, a catarinense uniu o contexto da faxina com o castelo, sendo que este representa sua vida. Como uma “limpeza espiritual”, Gerusa retrata seus desafios e a forma como os superou.
A escritora revela que o livro está fazendo sucesso e proporcionando um retorno maior que o esperado.
— Eu estou tão feliz, porque Deus nos usa, né? Todos os dias as conexões fazem com que o negócio se desenvolva mais rápido. As pessoas que estão se conectando comigo estão comprando, meus seguidores do Instagram e pessoas que já me conheciam antes também — conta entusiasmada.
Atualmente, o livro está em processo de tradução para o inglês e em breve será publicado como e-book na Amazon. Em breve, o livro também terá um ponto de venda físico em Joinville através da parceria com uma livraria do município.
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*Sob supervisão de Leandro Ferreira
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