A chegada do outono e do inverno no Hemisfério Sul movimenta os animais marinhos para o litoral brasileiro em busca de águas mais quentes para reprodução. Em Santa Catarina, por exemplo, é possível encontrar pinguins-de-magalhães, baleias-francas e lobos-marinhos. Contudo, o processo de migração não é simples e pode fazer com que muitas espécies sejam encontradas debilitadas nas praias do Estado.

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A Associação R3 Animal, organização não governamental (ONG), é a responsável pelo resgate, reabilitação e reintrodução de animais marinhos que chegam fragilizados. O trabalho é feito por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) no trecho 3, em Florianópolis.

Entretanto, em situações que envolvem as baleias-francas, a responsabilidade é dos órgãos públicos fiscalizadores, como o Ibama e a Polícia Militar Ambiental, como explica Cristiane Kolesnikovas, médica veterinária e presidente da associação.

— Nós recebemos aves e mamíferos marinhos vivos para reabilitação, e aves, mamíferos e tartarugas marinhas mortas para realização de necrópsia. A reabilitação de tartarugas marinhas é feita pelo Projeto Tamar — diz. 

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Espetáculo da natureza: Lobos-marinhos tiram cochilo em praias de Florianópolis

Além dos animais marinhos, que costumam aparecer com mais frequência no inverno, a associação também ajuda na recuperação das gaivotas que chegam em maior quantidade no verão. De acordo com a veterinária, as aves ficam normalmente debilitadas por intoxicação. Ou seja, através da ingestão de alimentos inadequados, como o consumo de plásticos.

No caso dos lobos-marinhos, eles costumam aparecer nas praias de Florianópolis para descansar, e por isso, a associação recomenda que os humanos não se aproximem.

—  A nossa equipe sempre relata a ocorrência e acompanha. Muitas vezes, as pessoas se aproximam e os deixam estressados e a gente tem que resgatar um animal que não necessariamente precisava de ajuda.

Veja as fotos da recuperação dos animais marinhos na R3 Animal

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Em relação aos pinguins, eles ficam fragilizados devido às longas viagens que fazem no processo de migração. Por serem inexperientes, muitos se perdem do bando, ficando desidratados e desnutridos. Além dos desafios naturais, há fatores vindo de seres humanos que os prejudicam, como captura não intencional por redes de pesca, anzóis e poluição marinha. 

Por estarem cansados e debilitados, os pinguins atingem as areias da praia e são incapazes de voltar a nadar. Até o dia 30 de julho de 2024, 1.970 aves foram encontradas em Florianópolis. Desse total, apenas 126 estavam vivas.

— A gente só faz o resgate quando eles estão na areia e não conseguem retornar para o mar. Se eles estão na água e nadando, eles ainda estão se alimentando e, por isso, não fazemos o resgate — explica Cristiane. 

A orientação de quando encontrar um pinguim na praia é para não se aproximar. Segundo a R3, eles podem estar contaminados com gripe aviária, uma doença de alta mortalidade, e transmitir o vírus para os humanos.

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Em Santa Catarina, a gente teve alguns casos positivos de gripe aviária em animais marinhos. Todo cuidado é pouco. Apesar da gente ainda não ter casos em pinguins, sempre pedimos para que não toque nos animais e espere a equipe chegar com todos os equipamentos necessários para evitar contaminação.

Com o teste negativo para o vírus, os animais são transferidos para outra sala, onde recebem atendimentos veterinários direcionados para recuperação. Em seguida, eles são levados para outro ambiente, onde passam a conviver com bichos da mesma espécie. No caso dos pinguins, a R3 Animal possui uma piscina de água doce e de temperatura ambiente, onde as aves permanecem até o momento da soltura.

O que fazer se encontrar um animal marinho

  • Se o animal estiver nadando, não se aproxime. O resgate nesse caso ainda não pode ser feito;
  • Não force o pinguim a voltar para água. Se ele atingiu a praia, é porque está cansado ou não consegue mais nadar;
  • Não o coloque em contato com gelo. Animais debilitados costumam apresentar hipotermia;
  • Não tente alimentá-lo e afaste animais domésticos;
  • Se for necessário transferi-lo a um ambiente seguro até o resgate, acomode-o em local seco e aquecido, como caixa de papelão;
  • Para qualquer contato, utilize luvas de látex, máscara facial e higienize-se em seguida.
  • Ao encontrar um animal marinho morto ou debilitado na praia, entre em contato com o PMP-BS: 0800 642 3341.

Confira as fotos dos pinguins-de-magalhães

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