Uma colisão com pássaros pode estar entre as causas do acidente de avião que explodiu e deixou 179 mortos na Coreia do Sul, em 29 de dezembro de 2024. Isso porque, de acordo com um relatório preliminar das investigações divulgado nesta segunda-feira (27), restos de pássaros foram encontrados em uma das turbinas do avião em que estavam as vítimas. As informações são do g1.

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Lee Seung-yeol, o principal investigador do caso, informou que as penas foram encontradas em um dos motores da aeronave, recuperado no local do acidente. Ainda segundo Lee, vídeos também mostraram que realmente houve uma colisão com as aves.

O relatório inicial também confirma o choque. O próprio piloto da aeronave relatou o acontecido à torre de comando três minutos antes do pouso, declarando emergência.

No entanto, segundo o relatório, a colisão com pássaros não é considerada a única causa do acidente. A falha no trem de pouso do avião e a existência de um muro de concreto próximo do final da pista, contra o qual o avião se chocou, ainda são investigados pela polícia.

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Veja vídeo do momento do acidente

Investigações sobre o incidente

Segundo especialistas em segurança aérea, o muro, que foi projetado para sustentar a antena “localizer” e guiar pousos em condições de baixa visibilidade, era muito rígido e estava muito próximo ao final da pista.

Ainda não há informações sobre os motivos do trem de pouso não ter funcionado ou o que levou o piloto a aparentemente apressar uma segunda tentativa de pouso, mesmo depois de informar ao controle de tráfego aéreo que o avião havia sofrido uma colisão com pássaros e que iria arremeter.

A aeronave da Jeju Air levava 181 pessoas; 179 morreram e duas saíram com vida. A aeronave havia partido de Bangkok, na Tailândia, e sofreu o acidente por volta das 9h no horário local (21h de sábado, no Brasil) ao pousar em Muan, na Coreia do Sul.

Melhoria na segurança dos aeroportos

Após o acidente, o Ministério dos Transportes sul-coreano anunciou que irá melhorar a segurança dos sistemas de pouso nos aeroportos, que, segundo especialistas, também contribuíram para a tragédia.

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O piloto responsável pelo voo declarou emergência, emitindo avisos de “mayday” e de colisão com pássaros aos controladores do avião na Coreia do Sul, minutos antes do avião se chocar contra um muro de concreto e explodir.

Esta foi a primeira vez, desde o dia do acidente, que a informação de colisão com pássaros foi confirmada.

A tripulação declarou emergência depois de receber um alerta da torre de comando sobre o risco de colisão com pássaros. O piloto reportou o problema dois minutos depois de receber o aviso, segundo informações do Ministério dos Transportes sul-coreano.

No aviso à torre de comando do aeroporto, o piloto falou a palavra “mayday” três vezes, e “bird strike” (colisão com pássaros) duas vezes.

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Veja como foram os momentos anteriores ao acidente na linha do tempo abaixo, começando às 8h54 de domingo no horário local (20h54 de sábado, no horário de Brasília):

8h54 – O controle de tráfego aéreo do aeroporto de Muan autoriza a aeronave a pousar na pista 01, orientada a 10 graus a leste do norte.

8h57 – O controle de tráfego aéreo emite um alerta de “cuidado – atividade de pássaros”.

8h59 – O piloto do voo 7C2216 relata uma colisão com pássaros e declara emergência com o chamado “Mayday, Mayday, Mayday (…) colisão com pássaros, colisão com pássaros, arremetendo”.

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9h00 – O voo 7C2216 inicia a manobra de arremetida e solicita autorização para pousar na pista 19, localizada na extremidade oposta da única pista do aeroporto.

9h01 – O controle de tráfego aéreo autoriza o pouso na pista 19.

9h02 – O voo 7C2216 toca a pista aproximadamente no ponto de 1.200 metros de uma pista com 2.800 metros de extensão.

9h02m34s – O controle de tráfego aéreo ativa o “sinal de acidente” na unidade de resgate e combate a incêndios do aeroporto.

9h02m55s – A unidade de resgate e combate a incêndios do aeroporto conclui a implantação dos equipamentos de resgate.

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9h03 – O voo 7C2216 colide com o barranco após ultrapassar o final da pista.

9h10 – O Ministério dos Transportes recebe o relatório do acidente das autoridades aeroportuárias.

9h23 – Um homem é resgatado e transportado para uma instalação médica temporária.

9h38 – O aeroporto de Muan é fechado.

9h50 – O resgate de uma segunda pessoa é concluído; ela foi encontrada dentro da seção da cauda do avião.

Falha no trem de pouso

O avião aterrissou com o trem de pouso recolhido, mas não há informações se isso tem relação com a possível colisão com pássaros.

Nesta segunda, a Coreia do Sul iniciou uma “inspeção especial e completa” de todos os aviões Boeing 737-800 utilizados por companhias aéreas do país. São 101 aviões do modelo operados por linhas aéreas sul-coreanas.

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O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB, na sigla em inglês), participará das investigações do acidente, abertas para apurar exatamente o que aconteceu.

Segundo o Ministério dos Transportes sul-coreano, a caixa-preta do avião foi recuperada e será transferida para o Centro de Testes e Análises do Aeroporto de Gimpo, onde será verificada a possibilidade de análise.

Choi Sang-mok, o novo presidente interino da Coreia do Sul, afirmou que a prioridade agora é recuperar todos os corpos das vítimas e fazer suas identificações, para que possam ser devolvidos às famílias.

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