De acordo com um levantamento realizado no ano passado pela ONG Aliança Bike, Florianópolis ocupa a 8ª posição entre as capitais com maior rede de ciclovias e ciclofaixas. Apesar da posição, ciclistas que utilizam as vias reclamam de falta de manutenção e fiscalização.
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Segundo a Prefeitura de Florianópolis, a cidade conta com quase 250 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. Ainda assim, ciclistas não se sentem seguros ao percorrer os trechos, relatando casos de infrações e falta de segurança.
— No momento, a gente está com dificuldade em todos os aspectos do uso da bicicleta. Precisamos de uma maior investida na manutenção de todas as ciclovias e ciclofaixas da cidade. A gente precisa de um aumento na fiscalização, porque desviar de carros estacionados em ciclofaixas é muito comum — diz Vinicius Leyser da Rosa, que utiliza as ciclofaixas diariamente.
Falta de fiscalização causa acidentes
Segundos as normas de trânsito, o espaço mínimo para ultrapassar uma bicicleta é de 1,5 metro. A regra existe para evitar acidentes e garantir que os ciclistas tenham espaço suficiente para manobrar, caso necessário. Apesar disso, muitos motoristas não respeitam e até invadem as faixas reservadas, atitudes que podem ser fatais.
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Em outubro do ano passado, Alexandre Palma, ciclista de 57 anos, morreu ao ser atingido por um carro no acostamento da SC-401, em Florianópolis.
No mesmo dia, flagrantes mostraram um motorista invadindo a Via Amiga do Ciclista, espaço reservado para circulação de ciclistas aos domingos, na Beira Mar Norte. Na ocasião, quatro atletas foram atropelados e Aline Pires, de 37 anos, foi a integrante do grupo mais atingida. Ela teve uma lesão na mão e ferimentos pelo corpo e ainda não conseguiu voltar ao esporte.
Devido à falta de fiscalização e o uso indevido da ciclovia por um motorista, o ciclista Lucas Menegazzo também foi atropelado enquanto andava de bicicleta. O caso aconteceu no bairro Pantanal em Florianópolis.
— O motoqueiro invadiu a ciclovia e me derrubou. Eu caí, bati as costas e meu capacete rachou na metade. Ele só parou para prestar socorro porque outro ciclista atrás pediu para ele parar — relata o jovem.
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Infraestrutura também é alvo de críticas
A falta de infraestrutura também é uma das reclamações feitas pelos usuários das vias: trechos sem iluminação, com rachaduras, buracos e areia são muito comuns nos percursos.
Para Daniel Guth, consultor em Políticas de Mobilidade Urbana, a falta de manutenção nesses lugares também é resultado de uma grande concentração de infraestrutura e investimento apenas em locais mais turísticos, com maior valor e interesse econômico.
Na avenida Gustavo Richard, localizada na entrada da Ilha de Santa Catarina, não há estrutura para locomoção dos ciclistas, que precisam passar pela calçada ou pedalar pela contramão.
— Não é incomum a gente estar pedalando e os carros serem colocados em cima da gente, tirando fino, buzinando e xingando — relata a triatleta e treinadora, Elinai dos Santos Freitas Schutz.
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— Em cada bicicleta vai uma vida. Uma mãe, um filho— diz Elinai.
Até o momento, a Prefeitura de Florianópolis informou que pretende começar as obras previstas para a Avenida Gustavo Richard em fevereiro deste ano e que continua estudando e identificando as necessidades para melhorar as rotas das bicicletas.
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