O ator catarinense Daniel Pereira fez uma participação em Ainda Estou Aqui, filme de Walter Salles que disputa três categorias no Oscar deste ano, incluindo a principal, de melhor filme. Ele interpreta um dos amigos de Veroca (Valentina Herszage), uma das filhas de Eunice (Fernanda Torres) e Rubens Paiva (Selton Mello).

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A participação de Daniel ocorre nas cenas iniciais do filme, quando Veroca e seus amigos estão voltando para casa e são parados pelo Exército, dentro de um túnel. O personagem do catarinense pilota uma moto, o que fez ele precisar passar por aulas extras de direção.

— O set era extraordinário, diferente de tudo que eu já vi. Ficamos no túnel o dia todo. O Walter Salles parou o túnel e uma parte da cidade para as gravações — recorda, citando o diretor por trás do longa.

Além de usar locações reais no Rio de Janeiro, o filme tentou recriar meticulosamente o ambiente da década de 1970, usando carros antigos e figurino típico da época. Na cena do túnel, em que o grupo de adolescentes é revistado pelo Exército, o clima era de aflição, segundo Daniel.

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— Foi como viver a perseguição da ditadura militar. A tensão era tão grande que a gente sentia a realidade na pele — descreve.

Daniel conta que os atores tinham “muita proximidade” com Walter Salles. Ele recorda que foi acolhido pelo cineasta quando sua moto, original da década de 1970, apresentou falhas durante os ensaios.

— Eu estava bastante nervoso. O Walter me abraçou e falou que eu havia sido escolhido entre vários atores. Disse que confiava em mim. Foi uma das experiências mais lindas que já vivi — recorda o ator.

Veja fotos dos bastidores de Ainda Estou Aqui

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Expectativa para o Oscar

Daniel recorda que, na época das gravações, ele e outros atores já faziam brincadeiras sobre a possibilidade de Ainda Estou Aqui concorrer ao Oscar, como ocorreu com Central do Brasil (1998), também assinado por Walter Salles. Ele e Valentina Herszage chegaram a perguntar ao diretor se ele achava que ganharia o prêmio desta vez.

— Ele falou: “sim, agora a gente vai ganhar os prêmios mesmo, temos que ganhar”. Desde o início, ele tinha essa motivação. Porque ele sabe da importância para a gente, que é brasileiro, ganhar uma premiação como essa — recorda.

O ator, natural de Itajaí, diz que torce para o reconhecimento do filme na premiação. Por enquanto, ele se prepara para o lançamento de dois novos projetos em que atuou: o longa A Primeira Música, do cineasta André Gevaerd, gravado em Jaraguá do Sul, e o filme Coisas de Novela, que será exibido em 2025, em comemoração aos 60 anos da TV Globo.

Ele também segue trabalhando em seu monólogo, Ao Soar do Sino, que conta a história da luta de sua mãe contra o câncer:

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— Para o Brasil e para o cinema brasileiro, uma indicação ao Oscar é muito importante. É um prêmio para todos os brasileiros. A gente nunca pode deixar de acreditar.

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