Não é novidade para ninguém que vivemos tempos de polarização. No esporte, e em especial no vôlei, o panorama não é diferente. É inadmissível que no vôlei, onde a comunidade LGBTQIA+ está também muito presente, tanto dentro da quadra como no público, ainda exista esse tipo de postura.
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Maurício Souza teve seu contrato rescindido pelo Minas – um dos clubes mais tradicionais do esporte brasileiro – por pressão dos patrocinadores (Fiat e Gerdau) por ter feito declarações homofóbicas em algumas postagens na sua conta pessoal de uma rede social.
A manifestação teve resposta imediata de vários jogadores e jogadoras de voleibol, como Douglas Souza, seu companheiro de seleção, Carol Gattaz, Sheilla, Fabi Alvim, Carol Solberg, entre outros muitos, condenando a postura do meio de rede.
E também teve, infelizmente, atletas sendo preconceituosos por tabela, “curtindo” e apoiando a manifestação homofóbica de Maurício Souza. Nenê Hilário, Wallace, Sidão e até mesmo Tinga, ex-jogador de futebol que sofreu muito por conta do racismo em sua carreira.
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Em um jogo contra o Real Garcilaso, disputado no Peru, ele foi alvo dos torcedores locais que imitavam o som de macaco. Ao final daquela partida, Tinga se manifestou: “Eu queria, se pudesse, não ganhar nada e ganhar esse título contra o preconceito. Trocava todos os meus títulos pela igualdade em todas as áreas”.
Pois é, Tinga, o que você sentiu, muita gente sente todos os dias, por esse motivo não podemos normalizar manifestações preconceituosas como as do Mauricio Souza em hipótese alguma.
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O esporte é uma verdadeira universidade e nos repassa valores inegociáveis, como tolerância, solidariedade, respeito, persistência e socialização. São pontos importantes na formação de qualquer ser humano e necessários para o convívio em sociedade.
É inaceitável que em pleno 2021 ainda existam atletas, e isso vale para qualquer outra pessoa, que tentam esconder o seu preconceito sob o guarda-chuva da liberdade de expressão. Não é liberdade de expressão. Não é opinião. É crime.
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