A Polícia Civil de Chapecó vai reabrir um caso de assassinato descoberto em 2013 após a Polícia Científica (PCI) conseguir identificar a identidade da vítima, uma década depois. A descoberta foi possível através do trabalho desenvolvido pelo Programa Conecta, criado para localizar pessoas desaparecidas e identificar corpos de identidade indeterminada.
Continua depois da publicidade
Clique aqui para receber as notícias do NSC Total pelo Canal do WhatsApp
O corpo de Rafael Tura foi encontrado na época já em estado avançado de decomposição. Como não foi possível identificar quem era e nenhum familiar o reclamou, ele foi sepultado três meses depois.
Segundo o delegado regional de Chapecó, Rodrigo Moura, a vítima apresentava pelo menos seis marcas de tiro pelo corpo, mas por falta de elementos que indicassem a autoria do crime, as circunstâncias, e até mesmo a identidade do homem morto, não foi possível dar sequência à investigação, até o momento.
— Como não era possível saber nem quem era a vítima, não foi possível avançar na investigação. Agora, com esse laudo, o caso será reaberto para tentarmos investigar novamente — comenta o delegado.
Continua depois da publicidade
O corpo, de acordo com Moura, foi encontrado na linha Sede Trentin, próximo a uma comunidade indígena, no dia 30 de maio de 2013. Diante do avançado estado de decomposição em que já se encontrava, não foi possível identificar idade, cor da pele ou outras características que pudessem auxiliar na identificação.
Programa Conecta
O Programa Conecta da PCISC utiliza tecnologia avançada e integra bancos de dados genéticos, biométricos, odontológicos e antropológicos, segundo o órgão. Mas, no caso de Rafael, informações sobre suas características físicas e outros detalhes passados pela família foram suficientes.
A investigação para descobrir a identidade iniciou em setembro de 2024, durante a Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas, que foi promovida pelo Ministério da Justiça e recebeu o apoio dos órgãos oficiais de perícia de todo o país.

Continua depois da publicidade
Em Chapecó, a Polícia Científica revisitou casos antigos de cadáveres não identificados e constatou registros compatíveis com desaparecimentos no período e no local. Depois, em entrevista com familiares de Tura, coletou material genético e informações a respeito das características físicas e odontológicas do homem que estava desaparecido desde maio de 2013, assim como informações sobre o desaparecimento.
O corpo foi exumado em novembro do ano passado e a ossada encaminhada para análise no Setor de Antropologia Forense e Odontologia Legal da Polícia Científica, em Florianópolis.
Entre as características informadas sobre o desaparecido e as encontradas no esqueleto, foi possível identificar semelhanças como a amputação de parte do dedo indicador direito, além de fraturas antigas, deformação no braço e tratamentos odontológicos.
O caso é considerado um marco importante no trabalho de identificação de pessoas desaparecidas e de busca pelo solucionamento de casos, por ser o primeiro resolvido pelo programa sem a necessidade do processamento do material genético, apenas com elementos antropológicos.
Continua depois da publicidade
— Essa identificação é mais um exemplo da importância da participação de familiares de pessoas desaparecidas no Programa Conecta, permitindo que unamos as informações fornecidas pelos familiares com os conhecimentos das ciências forenses para a resolução de casos que, por anos, permanecem sem respostas — ressalta a perita criminal, Patrícia Monteiro, responsável do Programa.
No site da Polícia Científica de Santa Catarina é possível saber mais sobre o projeto e informar sobre familiares desaparecidos.
Leia também
Confusão em Irani termina com um ferido a facão e outro a tiros
Serpente entre as mais venenosas do Brasil é encontrada em casa no Oeste de SC