Quem circula pela área rural de São Pedro de Alcântara, a 32 quilômetros da capital catarinense, pode se surpreender com uma espécie de cabanas entre os vales e colinas do município. Com portas e janelas tortas, o estilo exótico lembra Alice no País das Maravilhas e semelhanças com a Casa do Coelho Branco. A criatividade também remete aos filmes de Tim Burton (Os Fantasmas Ainda se Divertem), tem um certo quê de Harry Potter e das residências country no Corredor dos Tornados, nos Estados Unidos. 

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A inspiração veio com o desenho de uma criança, explica Sérgio Flores, especialista em casas encantadas e cabanas customizadas que estão espalhadas por cidades da Grande Florianópolis. Mas também em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

— Nossa família tinha ido visitar a cidade de Gramado (RS) e meu filho mais velho (hoje com 20 anos) desenhou uma casa na árvore com portas e janelas tortas. Achei interessante o traçado e ele virou o primeiro projetista da empresa — brinca Flores, que também é músico, poeta, grafiteiro e já fez viagens de Fusca de São Pedro de Alcântara com destino ao fim do mundo (Ushuaia).

Natureza como complemento da obra

Ainda que tenha sido inspirado por um desenho infantil, o artista explica que não trabalha com projetos desenhados. Mas prefere “entrar na mente do cliente” para buscar informações sobre gostos, preferências e memórias. É com essa matéria-prima que faz cabanas, casas na árvore, playgrounds, pracinhas, chalés em condomínios.

A madeira é de reflorestamento. Os tamanhos variam: de uma casa de passarinho a um chalé para moradia de uma família. Também já entregou um pub e uma garagem de madeira em estilo estadunidense. Além de placas com nome de ruas e estabelecimentos comerciais, brasões de famílias e do Maibaum do município e de Águas Mornas, também na Grande Florianópolis.

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Maibaum, que quer dizer “árvore de maio” simbolizava a união nas comunidades germânicas. Como tradição, os moradores erguem um mastro com os brasões das famílias que ajudaram a construir a história do município.

— A pessoa me conta o que imagina e eu vou imaginando a obra. Trabalho com customização, uso cores de acordo com a escolha da pessoa e objetos personalizados, mas não renuncio ao essencial: explorar a natureza ao redor. Seja a árvore que “entra” na casa, a água que passa por debaixo da ponte, a falta de parte do telhado que permite ver o céu estrelado — explica.

Fotografias como estímulo ao processo criativo

Esse processo criativo é estimulado por um hábito que Flores diz manter há cinco, seis anos, período em que começou a fazer suas obras: todos os dias, abre sites com fotografias de diferentes tendências e visualiza centenas de imagens.

— Acredito que isso estimula minha mente, pois algo fica gravado no cérebro e aflora quando converso com as pessoas — diz.

Além de encomenda de peças menores, Flores trabalha para finalizar cabanas num condomínio particular. Das 12 unidades previstas, três casas temáticas estão praticamente prontas: dos Doces, das Flores, do Moinho e do Ferreiro. O conceito é de microcasa com tudo que uma família precisa: fogão, mesa, bancos, camas, internet. O objetivo do contratante é diversificar a opção de hospedagem acolhedora, possibilitando uma imersão na natureza.

Casado e pai de dois meninos (20 e 9 anos), Flores diz que pretende seguir fazendo a diferença de um projeto onde não ter projeto é exatamente o diferencial.

— Meu processo criativo é fora dos padrões. Mas está dando certo: tenho encomenda para os Estados Unidos e Alemanha — revela.

Veja fotos das casas customizadas

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