O casal vítima da stalker catarinense publicou prints que mostram algumas das perseguições sofridas no últimos meses. Entre as mensagens estão desde ameaças de morte até textos diários que a mulher enviava ao dentista delirando sobre um hipotético relacionamento. Ela foi presa nesta semana pelo crime de “stalking” e o assunto repercutiu em todo o Brasil.
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“Perdemos nossa liberdade, perdemos nossa segurança. Fomos ameaçados, injuriados de inúmeras formas. Mas não estamos aqui nos fazendo de vítimas e, sim, sendo obrigados a colocar a cara a tapa, porque a proporção do efeito que o celular na mão de algumas pessoas tem quando fala o que quer é catastrófico”, escreveram o dentista e a biomédica nas redes sociais.
“Bebê Rena” catarinense chegou a publicar sobre perseguição a dentista: “Amorzinho”
Veja os prints
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“Ofensas e ameaças por anos”
A publicação do dentista e da noiva ainda relata que as ameaças e ofensas teriam sido vividas “por anos” até que eles decidiram tomar uma atitude mais drástica. Eles descrevem medo e apreensão até para fazer atividades simples fora de casa, por conta da possibilidade de encontrarem a mulher.
“Recebemos ofensas e ameaças quase que diariamente, por anos, amigos e familiares próximos a nós foram importunados também, porém só agora, tendo uma decisão favorável da Justiça deste caso, veio a tona na mídia! Desde então passamos a viver um inferno, uma vida restrita, sempre com cautela, temos cuidado no trabalho e sempre com orientação para as pessoas próximas a nós estarem cientes das ameaças”, relatam.
História se tornou pública
O caso foi revelado pela Polícia Civil na última segunda-feira por conta da prisão da suspeita em Itajaí. Segundo os investigadores, a jovem de 24 anos iniciou as perseguições depois de uma consulta em 2019 com o dentista, que atua em Itapema. Ela passou a persegui-lo e, quando soube que o homem estava namorando, começou a ameaçar a companheira dele.
Diante das evidências, a Justiça determinou algumas medidas cautelares, como proibição de contato, aproximação ou menção à vítima.
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Não adiantou.
A stalker não só não parou de seguir o dentista em todos os lugares, desde o trabalho até locais de lazer, como restaurantes, como incluiu a noiva dele no crime. A suspeita mandava mensagens ofensivas e ameaças à companheira do homem usando o celular de outras pessoas e contas falsas de e-mail.
Com o pesadelo só piorando para o casal, a Justiça autorizou a prisão da stalker. Ela foi detida no Morro do Matadouro, em Itajaí, e deve responder pelos crimes de perseguição (stalking), injúria e ameaça.
O crime de perseguição passou a ter previsão no art.147- A do Código Penal em 2021. “A palavra “stalking” em inglês é utilizada na prática da caça. Por isso, esse crime é caracterizado pela intenção de perseguir uma pessoa de maneira constante e independente do meio, com ameaça à integridade física ou psicológica, limitando sua capacidade de se deslocar ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando a esfera de liberdade ou privacidade”, explicou a advogada Letícia Peres.
A pena para esse crime varia de seis meses a dois anos de prisão, e multa.
Dentista teve prédio invadido duas vezes
A primeira invasão aconteceu em janeiro de 2023, momento em que o dentista registrou boletim de ocorrência e acionou a Polícia Militar. Segundo o relato do dentista, a mulher teria interfonado no apartamento, mas ele não abriu a porta. Contudo, o homem acredita que ela tenha entrado no prédio com algum morador, já que começou a bater na porta do apartamento dele. Com medo, ele chamou a Polícia Militar.
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Já a suspeita afirmou à PM que teve um relacionamento com o dentista, mas que eles não estavam mais juntos, e que teria ido ao apartamento para “verificar o que ele realmente quer”.
O caso foi tratado pela PM como perseguição. A mulher estava sentada em frente à porta do apartamento no momento em que a equipe chegou ao local. Ela saiu do prédio após a confecção de um termo circunstanciado.
Em 20 de abril de 2024, houve a segunda invasão. O dentista não estava em casa no momento e ficou sabendo do ocorrido por um vizinho. No dia 31 de março do mesmo ano, outra situação aconteceu na praia.
O dentista estava no local com a noiva e amigos e a suspeita foi até lá e se sentou em uma cadeira ao lado dele. Segundo o boletim reproduzido no processo, a suspeita teria dito que o dentista destruiu a vida dela e ainda proferiu ofensas contra a noiva.
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A polícia foi acionada novamente, mas a mulher foi embora antes da chegada dos agentes.