Em 2023, o Carnaval é marcado pela expectativa de retorno às ruas após dois anos sem festa. Com a alta aglomeração, em um contexto de descontração e possibilidade de consumo de álcool e drogas, ações individuais para garantir a segurança durante o Carnaval não podem ficar de fora. Isso inclui, por exemplo, precauções para evitar furtos e golpes financeiros, assim como práticas para reduzir os danos à saúde.
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A reportagem conversou com Dhiogo Cidral de Lima, tenente-coronel da Polícia Militar de Santa Catarina (PM-SC) e com Eduardo Campos, médico infectologista da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) para levantar as principais dicas de como aproveitar as festas com segurança.
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Dicas para aproveitar o Carnaval com segurança
Tanto Cidral, quanto Campos são categóricos em um ponto: evite excessos. O consumo exagerado de álcool e drogas afeta a saúde do indivíduo. Além disso, é recomendado evitar comer alimentos de procedência duvidosa, para evitar intoxicações alimentares. Confira outras dicas:
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- Use roupas leves, mantenha uma alimentação balanceada e beba bastante água
- Dê preferência para o transporte público. Se for dirigir, não beba
- Ande sempre em grupo. Pessoas sozinhas são alvos fáceis para furtos
- Crianças devem estar com pulseiras de identificação
- Leve apenas um documento, pouco dinheiro em espécie e um cartão de crédito com limite pré-determinado
- Evite levar materiais perfuro-cortantes, como abridores, garrafas e copos de vidro
- Tenha sempre camisinhas
Furtos e golpes financeiros
As folias e celebrações de rua do Carnaval podem ser propícias para crimes não violentos que ameacem a segurança, como furtos. Isso porque o evento reúne os três pontos principais que possibilitam esse crime não violento: ambiente favorável, uma oportunidade com potencial vítima e uma pessoa disposta a ser o agente desse crime.
De acordo com o Cidral, tenente-coronel da PM-SC, a implementação de blocos de Carnaval cercados e com revista pela Polícia Militar pode desfavorecer as condições para um furto e ampliar a segurança pública, mesmo assim, ele pode acontecer.
— Primeira coisa, a gente tem que lembrar que Carnaval é uma festa de descontração. As pessoas estão mais relaxadas, naturalmente com roupas mais leves por conta do calor. Então, é muito fácil, meio a todo o movimento, alguém empurrar as pessoas e no contato, furtar algo — complementa.
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Paralelo às ações da Polícia Militar, cada pessoa pode diminuir as oportunidades de furtos e aumentar a segurança de seus pertences durante o Carnaval com algumas medidas básicas: andar sempre em grupo, carregar celular, carteira e outros objetos apenas em bolsos frontais e, de preferência, com zíper ou botões. Isso dificulta o acesso aos itens e também quedas acidentais. Caso a pessoa não vá utilizar roupas com bolsos, cenário comum ao usar fantasias, é recomendado ter doleiras ou bolsas pequenas com zíper, sempre na parte da frente do corpo.

Os golpes financeiros também entram na categoria de crimes não-violentos recorrentes nas festas populares de Carnaval. Para evitá-los, Cidral recomenda carregar pouco dinheiro em cédulas e levar apenas um cartão de crédito com um limite pré-determinado, reduzido especificamente para o consumo do dia.
— Caso aconteça um incidente com esse cartão, ele pode ser facilmente bloqueado, e o limite impede que o dano seja maior — reforça.
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Violência sexual e outros crimes violentos
Durante o Carnaval, o consumo exagerado de álcool e outras drogas também pode ampliar as possibilidades de assaltos e violências sexuais. Ao ser vítima desses crimes violentos, a pessoa deve, de imediato, buscar um Policial Militar no local.
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— Assim, através dos monitoramentos de imagem, podemos configurar o fato e compreender como aconteceu esse tipo de violência — explica Dhiogo Cidral, tenente-coronel da PM-SC.
Na sequência, registre um boletim de ocorrência (B.O.) ou em Delegacias da Polícia Militar ou da Polícia Civil.
No caso específico de assédio e violências sexuais, há outros procedimentos para reduzir o dano à saúde da vítima. Segundo Eduardo Campos, infectologista da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE), é preciso procurar um serviço de saúde.
— Obviamente, ela vai fazer consultas, exames e avaliar as medidas ideais para a situação. Se recomendado, a pessoa pode recorrer a profilaxia pós-exposição, que é uma associação de três medicamentos. Nesses casos, ela vai utilizar as medicações ao longo de um mês para proteger contra uma possível infecção viral causada pelo HIV — explica.
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Prevenção contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)
O Carnaval, como outras festas, pode ser um momento de uso exagerado de bebidas alcoólicas e outras drogas, o que pode gerar intoxicações, além da perda de responsabilidade em relações sexuais. Antes de ir para as festas, Campos recomenda que a pessoa passe em centros de saúde onde há distribuição gratuita de preservativos.
— Estar prevenido com o preservativo já evitará grandes dores de cabeça. Temos várias infecções como herpes, sífilis, gonorreia, infecção por clamídia, e a própria infecção pelo HIV. Então, é o momento em que todas essas preocupações precisam estar em dia na nossa cabeça, né? — reforça.
