A Justiça do Rio Grande do Sul determinou nessa segunda-feira (6), que a mulher suspeita de envenenar um bolo que causou a morte de três pessoas da mesma família em Torres, no litoral norte do Estado, permanecerá presa por 30 dias. Deise Moura dos Anjos, 42 anos, é nora de Zeli dos Anjos, que fez o bolo e está hospitalizada. As informações são do g1.

Continua depois da publicidade

Clique aqui para receber as notícias do NSC Total pelo Canal do WhatsApp

Deise está presa temporariamente no Presídio Estadual Feminino de Torres desde domingo (5) e é investigada por triplo homicídio, duplamente qualificado, por motivo fútil e com emprego de veneno e tripla tentativa de homicídio duplamente qualificada. O caso ocorreu em 23 de dezembro de 2024.

Em nota, a defesa informou que “ainda não houve o acesso ao inquérito judicial” e que “restam diversos questionamentos e respostas em aberto neste caso” (leia na íntegra no fim da matéria).

— São robustas as provas que apontam que ela [Deise Moura dos Anjos] é a autora [dos crimes] — afirmou em coletiva de imprensa o delegado Marcos Vinícius Veloso, responsável pela investigação.

Continua depois da publicidade

Detalhes das provas e o motivo para o crime ainda não foram divulgados para não atrapalhar a investigação. A Polícia Civil analisa, ainda, quem era o alvo de Deise ao envenenar o bolo, como ela obteve arsênio e em que momento ele foi colocado na farinha.

Caso do bolo contaminado com arsênio tem reviravolta e mulher é presa no RS

Pesquisa sobre arsênio

De acordo com um relatório preliminar do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, dados extraídos do telefone da suspeita mostram que, antes do caso, houve “busca na internet, inclusive no Google shopping, pelo termo arsênio e similares”.

Arsênio é um elemento químico liberado no ambiente de maneira natural ou pela ação do homem e componente usado na fabricação de alguns pesticidas. A exposição a arsênio pode causar intoxicação alimentar e reações similares a alergias, câncer em caso de exposição recorrente, e até morte.

Farinha envenenada

De acordo com a diretora do Instituto Geral de Perícias (IGP), Marguet Mittman, amostras de arsênio foram encontradas em um saco de farinha que teria sido usado para produzir o bolo. Foram coletadas 89 amostras na casa de Zeli dos Anjos, que preparou o doce.

Continua depois da publicidade

— Foram identificadas concentrações altíssimas de arsênio nas três vítimas. Tão elevadas que são tóxicas e letais. Para se ter ideia, 35 microgramas já são suficientes para causar a morte de uma pessoa. Em uma das vítimas, havia concentração 350 vezes maior — disse Marguet Mittman, diretora do Instituto-Geral de Perícias (IGP).

A Polícia Civil ainda não esclareceu como foi feita a contaminação da farinha ou como o veneno foi comprado. A contaminação por causas naturais também foi descartada.

Quem são as vítimas

Três pessoas morreram após consumir o bolo: as irmãs Neuza Denize Silva dos Anjos e Maida Berenice Flores da Silva, e a filha de Neuza, Tatiana Denize Silva dos Anjos.

De acordo com o último boletim médico, a mulher que preparou o bolo, Zeli dos Anjos, de 60 anos, está hospitalizada em estado estável. Nesta segunda-feira (6), ela deixou a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). A criança de 10 anos que também comeu o bolo recebeu alta do hospital na sexta-feira (3).

Continua depois da publicidade

Gosto estranho

Nos primeiros pedaços, a família percebeu um sabor apimentado e desagradável, conforme foi relatado em depoimento à Polícia Civil. Depois das reclamações, a mulher que fez o bolo pediu para que as pessoas não comessem mais.

— Segundo alguns depoimentos, havia pessoas que inclusive nem queriam muito comer, mas pra não fazer desfeita pra ela [Zeli], que é tida como uma pessoa muito carinhosa com os familiares, acabaram comendo — explicou o delegado Marcos Vinícius Veloso.

— Tão logo o menino de 10 anos comeu e também reclamou do sabor, ela meio que colocou a mão assim em cima do bolo, [e falou] ‘e agora ninguém mais come’. E as pessoas começaram a passar mal naquele momento.

Relembre o caso

De acordo com a Polícia Civil, sete pessoas da mesma família estavam reunidas em uma casa, durante um café da tarde, quando começaram a passar mal. Apenas uma delas não teria comido o bolo. Zeli, que preparou o alimento, em Arroio do Sal e levou para Torres, também foi hospitalizada.

Continua depois da publicidade

Três mulheres morreram com intervalo de algumas horas. Tatiana Denize Silva dos Anjos e Maida Berenice Flores da Silva tiveram parada cardiorrespiratória, segundo o hospital. Neuza Denize Silva dos Anjos teve como causa da morte divulgada “choque pós-intoxicação alimentar”.

Segundo o delegado Marcos Vinícius Veloso, Zeli foi a única pessoa da casa a comer duas fatias. A maior concentração do veneno foi encontrada no sangue dela.

Nota da defesa de Deise Moura dos Anjos

O escritório Cassyus Pontes Advocacia representa a defesa de Deise Moura dos Anjos no inquérito em andamento sobre o fato do Bolo, na Comarca de Torres, tendo sido decretada no domingo a prisão temporária da investigada.

Todavia, até o momento, mesmo com o pedido da Defesa deferido pelo judiciário, ainda não houve o acesso ao inquérito judicial.

Continua depois da publicidade

A família, desde o início, colabora da investigação, inclusive com depoimento de Deise em delegacia, anterior ao decreto prisional.

Cumpre salientar, que as prisões temporárias possuem caráter investigativo, de coleta de provas, logo ainda restam diversos questionamentos e respostas em aberto neste caso, os quais não foram definidos ou esclarecidos no inquérito.

*Sob supervisão de Andréa da Luz

Leia também

Bolo que matou três pessoas no RS era tradição natalina da família, conta amiga

Criança que comeu bolo contaminado com arsênio no RS escreve carta pedindo orações