Publicações fantasiosas, selfie ao lado de uma foto do dentista e um texto enorme alegando inocência marcam o perfil nas redes sociais da suspeita presa por perseguir um profissional de Itapema e a noiva dele. A história da stalker ganhou repercussão nacional depois que detalhes das ações dela começaram a ser divulgados.
Continua depois da publicidade
Clique aqui para receber as notícias do NSC Total pelo Canal do WhatsApp
No enredo digno de filme, o drama na vida real ficou todo para o dentista e a noiva dele, vítimas da jovem. O primeiro alívio depois de mais de cinco anos veio na segunda-feira (3) com a prisão da suspeita. Antes disso, ela teria tornado a rotina dos dois um verdadeiro inferno, como os próprios descreveram.
Há exatamente um mês, a “bebê rena” catarinense inverteu os papeis e disse no Facebook que estava sendo perseguida pela biomédica, companheira do dentista. Ao xingar a mulher de “vadia” e “vagabunda”, a suspeita questionou por que o profissional — que na versão da detida é namorado dela — tem uma clínica junto com a noiva, “sendo que tenta me provar todos os dias que é leal, honesto e fiel”.
“Você, meu amorzinho, te mandei inúmeros e-mails nesses últimos dias te dizendo exatamente o que quero e o que quero que você faça. Não me interessa quem está certo ou errado!”, escreveu a stalker.
Antes de finalizar, a mulher mandou outro recado para a biomédica e disse que o dentista nunca iria “desistir” dela. “Eu o conheço melhor do que qualquer um! Estou dentro da mente dele!”, afirmou.
Continua depois da publicidade
Na própria descrição no Facebook, a investigada diz que está focada em ser esposa e mãe.
Veja prints das ameaças
História se tornou pública
O caso foi revelado pela Polícia Civil na última segunda-feira por conta da prisão da suspeita em Itajaí. Segundo os investigadores, a jovem de 24 anos iniciou as perseguições depois de uma consulta com dentista, que atua em Itapema. Ela passou a persegui-lo e, quando soube que o homem estava namorando, começou a ameaçar a companheira dele.
Diante das evidências, a Justiça determinou algumas medidas cautelares, como proibição de contato, aproximação ou menção à vítima.
Não adiantou.
A stalker não só não parou de seguir o dentista em todos os lugares, desde o trabalho até locais de lazer, como restaurantes, como incluiu a noiva dele no crime. A suspeita mandava mensagens ofensivas e ameaças à companheira do homem usando o celular de outras pessoas e contas falsas de e-mail.
Continua depois da publicidade
Com o pesadelo só piorando para o casal, a Justiça autorizou a prisão da stalker. Ela foi detida no Morro do Matadouro, em Itajaí, e deve responder pelos crimes de perseguição (stalking), injúria e ameaça.
O crime de perseguição passou a ter previsão no art.147- A do Código Penal em 2021. “A palavra “stalking” em inglês é utilizada na prática da caça. Por isso, esse crime é caracterizado pela intenção de perseguir uma pessoa de maneira constante e independente do meio, com ameaça à integridade física ou psicológica, limitando sua capacidade de se deslocar ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando a esfera de liberdade ou privacidade”, explicou a advogada Letícia Peres.
A pena para esse crime varia de seis meses a dois anos de prisão, e multa.
Dentista teve prédio invadido duas vezes
A primeira invasão aconteceu em janeiro de 2023, momento em que o dentista registrou boletim de ocorrência e acionou a Polícia Militar. Segundo o relato do dentista, a mulher teria interfonado no apartamento, mas ele não abriu a porta. Contudo, o homem acredita que ela tenha entrado no prédio com algum morador, já que começou a bater na porta do apartamento dele. Com medo, ele chamou a Polícia Militar.
Já a suspeita afirmou à PM que teve um relacionamento com o dentista, mas que eles não estavam mais juntos, e que teria ido ao apartamento para “verificar o que ele realmente quer”.
Continua depois da publicidade
O caso foi tratado pela PM como perseguição. A mulher estava sentada em frente à porta do apartamento no momento em que a equipe chegou ao local. Ela saiu do prédio após a confecção de um termo circunstanciado.
Em 20 de abril de 2024, houve a segunda invasão. O dentista não estava em casa no momento e ficou sabendo do ocorrido por um vizinho. No dia 31 de março do mesmo ano, outra situação aconteceu na praia.
O dentista estava no local com a noiva e amigos e a suspeita foi até lá e se sentou em uma cadeira ao lado dele. Segundo o boletim reproduzido no processo, a suspeita teria dito que o dentista destruiu a vida dela e ainda proferiu ofensas contra a noiva.
A polícia foi acionada novamente, mas a mulher foi embora antes da chegada dos agentes.