Aline Pires, de 37 anos, pedalava na Via Amiga do Ciclista, na Beira-Mar Norte, em Florianópolis, no dia 20 de outubro de 2024, como mais um domingo comum. Em uma questão de segundos, a arquiteta viu um carro entrando na via, exclusiva para treinamento naquele dia, e ouviu um de seus colegas gritando um “não!”. Depois, ela só lembra de estar na ambulância, com uma fratura no antebraço. Três meses depois, a atleta ainda não conseguiu voltar ao esporte, que faz parte do triathlon, sua paixão.
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Ela fazia parte do grupo de quatro ciclistas que foi atropelado por um motorista que invadiu a ciclovia. O homem, de 19 anos, entrou no acesso próximo ao bar Coxixos, na Avenida Governador Irineu Bornhausen, no bairro Agronômica, pela contramão. Aline foi a que mais sofreu danos físicos.
A arquiteta conta que estava mais a frente no grupo e que não teve tempo de frear ou ter qualquer reação. O carro a acertou em cheio e Aline logo caiu no chão. Ela teve um trauma, onde quebrou um osso do antebraço esquerdo.
Além disso, ela também perdeu a memória temporariamente após o acidente, por cerca de 10 minutos. Ela conta que só soube o que aconteceu pelos relatos dos colegas e dos vídeos que foram gravados do acidente. Outros sintomas, segundo a arquiteta, começaram a aparecer meses após o atropelamento, como espasmos e visão confusa.
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— Estou bem angustiada […]. Traumas muito fortes podem gerar sintomas até dois anos depois do acidente, e isso acaba preocupando. Não retornei ainda ao triathlon, e continuo com o tratamento de imobilização do braço, sem uso de remédios — explica.
Longe do esporte
Para Aline, os três últimos meses têm sido desafiadores sem o esporte. A frustação de não conseguir segurar o guidão da bicicleta, longe dos treinamentos de thriatlon que já fazem parte de sua vida há quatro anos, a atingem em todos os sentidos, até mesmo na recuperação.
— Sei que cada pessoa tem seu tempo para se recuperar, mas estar já há três meses longe da bike me deixa chateada. É claro que preciso agradecer por não te sido mais grave, mas ao mesmo tempo ainda há um sentimento de revolta por tudo que aconteceu — desabafa Aline.
A revolta acontece pois, segundo ela, não havia sinalização na via.
— A prefeitura e a Guarda Municipal foram totalmente negligentes com o acidente pela falta de sinalização e presença num espaço tão importante ao esporte de ciclismo. Há quatro anos que pratico o ciclismo nessa via, que sempre há sinalizações, e nesse dia não havia no trecho onde fomos atropelados — diz.
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De acordo com o Subcomandante da Guarda Municipal, Alexsandro Amorim, que participou do #CBN Floripa à época do acidente, a informação era de que o motorista retirou os cones que isolavam o local e acessou a contramão.
Procurada, a Guarda Municipal explicou que os fechamentos na Via Amiga do Ciclista são feitos na pista central, sentido elevado do CIC, desde a Rua Desembargador Arno Hoeschl até o Terminal da Trindade. No dia do acidente, segundo o comandante Andrey de Souza Vieira, a via estava fechada e o condutor realizou uma conversão proibida, “desobedecendo a sinalização local”.
A sinalização é feita com uma placa, que indica sentido único e proíbe a conversão para a esquerda e a direita, “independente do dia, da hora, e se está havendo via amiga ou não, é proibido”.
— Nesse dia específico, havia a conificação, e o fechamento da toda via, para a via amiga do ciclista. O condutor transitava do elevado do CIC em direção à ponte Colombo Salles, quando nas mediações do Coxixos ele desrespeitou a sinalização vertical – a placa de sentido único, fez uma conversão proibida à esquerda, acessando a via bloqueada, que era destinada à via amiga do ciclista, onde aconteceu o atropelamento — explica o comandante.
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Ainda sem previsão de voltar às bikes
Aline diz que quer muito voltar ao mundo dos esportes, mas que ainda não tem previsão de quando isso poderá acontecer. Nas próximas semanas, a atleta fará mais alguns exames para saber como está o andamento do tratamento.
No entanto, até iniciar a fisioterapia e realmente ter a confiança de subir novamente na bike, vai demorar um bom tempo. Enquanto isso, é focar em fortalecimento, saúde e trabalho
— Ainda não tenho previsão… Quero muito voltar. Dentre as próximas semanas tenho mais exames para verificar como está meu tratamento, mas até iniciar fisioterapia e realmente ter a confiança de subir novamente na bike vai um bom tempo. Enquanto isso é focar em fortalecimento, saúde e trabalho — conta.
Motorista preso
Desde o acidente, o motorista do carro que atingiu o grupo de ciclistas está preso, segundo a Polícia Civil. Ele é natural de Anitápolis e tem 19 anos. No dia do ocorrido, ele permaneceu na região para prestar depoimento.
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O caso está sendo investigado através da 5ª Delegacia de Polícia, mas não há informações adicionais que possam ser divulgadas até o momento.
Veja imagens do acidente
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