Temos artistas de Santa Catarina no Prêmio Pipa 2024. Nara Guichon, 68 anos, artista plástica e têxtil, designer e ambientalista, é uma das quatro vencedoras deste que é um dos mais significativos e importantes prêmios da arte brasileira. Com seu ateliê na Praia dos Açores, no Sul da Ilha de Santa Catarina, Nara vai estar presente no Paço Imperial do Rio de Janeiro, em 3 de agosto, quando ocorre a premiação e abertura da exposição dos trabalhos vencedores.
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— Estou muito feliz, pois o Prêmio Pipa é uma referência para a arte contemporânea brasileira, além de muito democrático sabe acolher sem preconceito as diferentes manifestações — ressalta Nara.
O Pipa tem curadores em cinco regiões do país, os quais são responsáveis pelas indicações. O grupo reúne profissionais renomados, incluindo críticos e curadores, mas também artistas selecionados, colecionadores e pesquisadores. A indicação foi de Josué Mattos, curador e diretor geral do Centro Cultural Veras, em Florianópolis.
Após uma intensa comprovação de documentos sobre autoria, fotografias e vídeos do trabalho e obras, é feita a escolha. Esta é a 15ª edição. A exposição dos trabalhos se encerra em 20 de outubro.
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A artista, representada pela Ocre Galeria, aposta em projetos que tenham como base a valorização dos saberes manuais tradicionais, o uso de matérias-primas e de pigmentos naturais, além do reaproveitamento e da ressignificação de elementos descartados, com ênfase nas redes de pesca.
A arte de Nara
Há pelo menos 40 anos, Nara usa redes de pesca descartadas no mar ou já entregue por pescadores da região de Florianópolis para transformar em arte: roupas, xales, bolsas, esponjas, esculturas e capas para automóveis.
A artista tem reconhecimento internacional. Em 2022, foi a única brasileira selecionada para a 1ª Bienal Internacional de Arte Material Contemporânea, na China. Das 150 obras escolhidas entre 2 mil inscritas, apenas oito foram de latino-americanos. Do Brasil, apenas o trabalho de Nara foi levado para a China.
Além de belos, o trabalho de Nara Guichon tem importância ambiental: muitos animais morrem após engolir ou se enlaçar nas redes. Estima-se que a cada ano 570 toneladas de rede sejam descartadas inadequadamente. Estima-se que cerca de 100 milhões de espécies anualmente percam a vida por causa de redes soltas nos mares.
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— Eu me dedico a recolher esse lixo que fica invisível embaixo das águas e o transformo em arte, pois trabalho para um planeta sustentável — pontua.
Veja fotos da artista e das obras
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