Anderson Cavalcante, autor do livro Minha Mãe, Meu Mundo, aborda o dilema que muitas mulheres vivem nesta década: Investir na carreira ou ser mãe? No artigo abaixo, o escritor fala sobre como os planos de gravidez atualmente são adiados por conta da priorização da vida profissional.
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Ser mãe hoje ou amanhã?
Por Anderson Cavalcante
Hoje, muitas mulheres deixam o sonho de ser mãe para depois. E por quê? Adiar por muito tempo essa decisão não pode complicar a realização deste objetivo? Segundo o pesquisador Nobert Gleicher, este não é mais um problema. Gleicher e sua equipe, do Centro para Reprodução Humana em Nova York, desenvolveram um teste genético com a capacidade de prever a taxa de redução do suprimento de óvulos das mulheres. O que isso quer dizer? Uma jovem poderá saber se há riscos de obter um envelhecimento precoce do óvulo ou não.
Desta maneira, a mulher que dedica todas as suas conquistas à vida profissional poderá continuar nessa maratona se quiser, pois ela saberá até quando adiar essa decisão. Mas, é correto escolher entre sua carreira ou um filho? Esta resposta, só o administrador da sua vida poderá dizer. Você mesmo.
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Outro ponto que podemos avaliar é a influência das gerações neste desejo final de adiar ou não a gestação. As baby boomers, nascidas entre 1946 e 1964, defendem que o trabalho é a principal razão da vida, ou seja, tudo pode ser deixado para depois, menos a carreira. Com o tempo, esse conceito da relação trabalho e vida começou a mudar. A geração Y, nascidas entre 1979 e 1992, veem o mercado como uma forma simples de satisfazer o desejo de consumo. Agora, essas mulheres que têm entre aproximadamente 20 e 35 anos, entendem que trabalho é importante, mas ter vida fora dele é essencial.
No entanto, para ajudar a pensar no assunto, lembre-se que não há certo ou errado em adiar esse ciclo maternal. Apenas é preciso estar ciente que, quando se tem definido a missão de sua vida, as suas metas, os seus objetivos e planos serão organizados de modo a levar ao cumprimento deste sonho. Isso não significa, necessariamente, que todas as mulheres devem dedicar sua vida intensamente à carreira, ou aos filhos. A descoberta desta missão depende de cada um. Algumas mulheres têm a certeza de que nasceram para ser mães, outras não se veem longe do ambiente de trabalho. Essa é a verdadeira essência da vida, estar feliz onde estiver, por escolha própria.
Posso citar como exemplo o caso de uma amiga minha. Ela sempre trabalhou muito e dedicou todo o seu tempo à carreira, almejando alcançar o topo da empresa. Não teve filhos, pois não tinha tempo para dedicar a eles. Conquistou oportunidades até chegar ao mais alto cargo. Neste ápice, tivemos uma conversa e ela me afirmou que sempre sonhara com isso. Mas, agora que está lá, percebeu que todo o esforço resultou em “só isso”.
O que acontece com muitas mulheres é a desistência dos próprios sonhos em benefício de outras pessoas. E, acredite, desta forma você nunca encontrará a realização. O que fazer para evitar essas decepções? Pergunte-se sempre se as atividades que está desenvolvendo são as mesmas que sonhou um dia para o seu futuro. Adiar a decisão de ser mãe para alcançar um determinado cargo na empresa, é um sonho seu ou de seu marido? Ter muitos filhos é uma vontade sua ou de sua mãe?
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Ainda há tempo. Seja mãe, ou uma profissional de sucesso, antes de tudo, seja uma mulher realizada.
(*) Anderson Cavalcante é empresário e ministra palestra para as maiores empresas do país, É autor dos best-sellers O que realmente importa?; As coisas boas da vida, lançado também na Europa, entre outras obras produzidas pela Editora Gente (como Minha Mãe, Meu Mundo).