Os turistas argentinos estão deixando a temporada de verão ainda mais lucrativa para o comércio de Florianópolis. Aproveitando o momento favorável de valorização do peso argentino e principalmente do dólar, os “hermanos” que visitam a Capital durante as férias têm passeado por supermercados, lojas de departamentos e shoppings e aproveitado para comprar itens alimentícios e renovar o guarda-roupas.

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O movimento acima do esperado de turistas argentinos faz os lojistas de Florianópolis estimarem que as vendas de janeiro tenham superado as de dezembro, tradicionalmente o melhor mês para o comércio. Uma estimativa prévia da Federação do Comércio de Santa Catarina (Fecomércio-SC) aponta que os argentinos estão gastando 37% a mais do que na última temporada.

Nesta semana, imagens de uma loja de artigos esportivos de Florianópolis viralizaram nas redes sociais após a invasão de argentinos e os estoques quase esvaziados ao fim do dia. O movimento tem se repetido ao longo dos dias. O espaço virou uma espécie de “parque de diversões” dos argentinos em SC, sobretudo em dias de chuva.

A funcionária pública argentina Liliana Vasques foi uma das turistas que trocaram um dia de sol na praia para garantir biquinis e sapatos no comércio de Florianópolis. Ela ainda planejava uma compra de mais uma mala para levar a bagagem de volta no ônibus. O motivo, para ela, é simples: se fosse comprar os mesmos itens na Argentina o preço seria bem maior.

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— É o dobro. Sai o dobro. Aqui vale a pena comprar — afirmar.

A psicóloga Gisela Kinstler conta em quais itens a discrepância de preços fica mais evidente entre Brasil e Argentina.

— Sapatos é o que mais a gente sente a diferença. Roupas de marca… — conta.

Veja fotos de argentinos em Florianópolis

Comércio se adapta à procura recorde

A Fecomércio garante que apesar da alta procura os comerciantes estão preparados para atender a esse aumento no volume de vendas. Mas a procura recorde dos “hermanos” pelos produtos do comércio catarinense também gera preocupação e exige adaptações na logística das empresas.

O superintendente do Floripa Shopping, Jean Oliveira, explica como o estabelecimento acompanha e se adapta à alta procura dos clientes.

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— Antecipar a logística da reposição de mercadoria. Então, as vendas superaram a expectativa, tanto que a movimentação na doca, a reposição de mercadoria nas lojas é constante — relata.

No comércio de rua o boom de compras de argentinos também dá sinais. A vendedora Luana Gabrieli Rodrigues, que atua em uma loja no bairro Canasvieiras, famoso pela concentração de moradores e turistas argentinos, conta que os clientes não esperam nem o reabastecimento do estoque.

— O pessoal não está deixando a gente nem colocar as mercadorias na arara, já estão tomando da mão, comprando bastante — conta.

Mudanças na economia explicam movimento

A valorização do dólar é um dos principais fatores que motivam os turistas argentinos a irem às compras no comércio de Florianópolis, mas a explicação para essa onda vai além da questão cambial.

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No país vizinho, as medidas econômicas do atual governo conseguiram um alívio no fantasma da inflação nos últimos meses, mas por outro lado diminuíram ainda mais o poder de compra de grande parte da população, já corroído por anos de inflação que chegou a superar os 200% ao ano em 2023.

O economista e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Lauro Mattei, explica que a maioria dos turistas argentinos que vêm para SC utilizam o dólar para pagar pela estadia e pelas compras. Por isso, conseguem desfrutar de vantagens já que a moeda norte-americana se valorizou muito em relação ao real desde os últimos meses do ano passado.

— Como o dólar já é uma moeda que circula na economia da Argentina, aqueles que têm o poder de compra adquirem o dólar. Eles não ficam guardando o seu poder de compra com o peso, eles guardam o seu poder de compra com o dólar. Quando sobra um dinheiro, eles compram dólar para se proteger de possível desvalorização do peso — explica.

O professor alerta que a leva de turistas que vêm fazendo a festa em lojas de Florianópolis é apenas uma parte da população, com renda mais elevada, já que 50% da população argentina vive abaixo da linha da pobreza.

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Ainda assim, ele afirma que o custo de vida alto na Argentina tornam atrativos as ofertas brasileiras de alimentos como café, feijão e açúcar, não produzidos na Argentina, e de itens de vestuário, que encareceram ao longo dos anos pela inflação e questões internas da economia do país.

— Eles estão comprando aqui o que não conseguem comprar lá, porque o custo de manutenção da vida deles lá é alto — conta Mattei.

* Com informações de Bruna Radtke, da NSC TV

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