Um ano após o acidente com um caminhão que tombou e derrubou o carregamento de ácido sulfônico na Serra Dona Francisca, em Joinville, a construção de duas áreas de escape em pontos estratégicos da SC-418 ainda não tem data para acontecer. Anunciadas pelo Governo de Santa Catarina no ano passado, as áreas de escape chegaram a ter duas licitações. No entanto, ambas fracassaram. Um terceiro edital está sendo planejado pelo Estado.

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Os planos para a rodovia incluem a construção de duas áreas de escape, uma no Km 15,3, e outra no Km 17,4, com valor de aproximadamente R$ 35 milhões. Além das duas áreas de escape, as obras incluem melhorias no pavimento, na sinalização e no ângulo das duas curvas, que deve ser ampliado.

Áreas de escape são planejadas para a Serra Dona Francisca

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Na primeira concorrência, em julho de 2024, a licitação não atraiu empresas interessadas. Já em novembro, uma nova licitação foi lançada para a contratação de uma empresa responsável pela execução. Uma empresa, que não teve o nome divulgado, chegou a se interessar pela concorrência, mas, segundo a Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade (SIE), não foi aprovada por não atender os itens de qualificação técnica e profissional previstos no edital.

Uma terceira licitação deve ser lançada nos próximos dias, para, novamente, a tentativa da contratação de uma empresa para executar as obras. À CBN Joinville, o secretário da Infraestrutura e Mobilidade de SC, Jerry Comper, afirmou que, caso não tenham interessados até o prazo de encerramento, que deve ser firmado até março, o Estado pretende pôr em prática a modalidade dispensa de licitação.

— É um prazo de três dias, onde toda a equipe técnica, amparada e fiscalizada pelo Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina, vai escolher uma empresa apta, que esteja comprometida e com recursos para executar uma obra dessa. Assim, saímos da licitação e entramos na dispensa da licitação — afirmou o secretário.

Os dois pontos que passariam a contar com áreas de escape coincidem com dois recentes acidentes de comoção na região. No Km 15,3 foi onde ocorreu o tombamento do caminhão carregado com ácido sulfônico, em 29 de janeiro de 2024. Já o Km 17,4 fica a 800 metros do local em que um ônibus com 46 passageiros tombou, no Km 16,6, em 26 de janeiro deste ano. Ainda, a Serra Dona Francisca registra um dos maiores acidentes rodoviários do Brasil, quando, em 14 de março de 2015, um ônibus saiu da pista e despencou, matando 51 pessoas.

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Acidente com ácido sulfônico completa um ano em Joinville

Construção de área de escape exige esforços

Um dos exemplos do funcionamento de áreas de escape no país pode ser visto na BR-376, na rodovia federal que liga o Paraná a Santa Catarina, que conta com dois dispositivos. O mais recente, construído em 2019 no Km 667,3, teve custo de R$ 20 milhões e gerou desafios para a engenharia durante as obras.

— A complexidade geotécnica natural do trecho de descida da serra exigiu grande esforço de engenharia para transformar a área de escape em realidade. A implantação do dispositivo leva em consideração os trechos em declives, em especial serras, e é preciso considerar a geologia do local e planejamento para execução da obra — explica Fernando Cesar, gerente de Operações da Arteris Litoral Sul, concessionária que administra a rodovia.

As áreas de escape são locais semelhantes a pistas de Fórmula 1, com profundidade de quase um metro preenchidas com argila expandida, para que os motoristas que percebam uma falha mecânica no veículo possam entrar nesse “desvio” e ter uma frenagem emergencial segura.

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A Serra do Mar da BR-376 possui 19 quilômetros de extensão e a queda de altitude é de aproximadamente 710 metros entre o início e o término da Serra. As áreas de escape possuem o objetivo de auxiliar a frenagem de veículos desgovernados, como um dispositivo extra de segurança.

— Quando as recomendações de manutenção do veículo ou direção defensiva não são seguidas, podem ocorrer situações de perda de freios. É neste momento que um recurso extra de segurança, como as áreas de escape, funciona dentro do conceito das “rodovias que perdoam”, atuando para que o veículo ainda possa parar em segurança — disse Cesar.

Assim que um veículo entra na área de escape, monitorada por câmeras, a Arteris Litoral Sul envia operadores para atender a ocorrência e realizar a retirada do veículo. São profissionais de saúde e ambulância, operadores de guincho e também inspetores de tráfego, que auxiliam na sinalização da via para outros motoristas.

Ao todo, foram oito meses de obras, com etapas de terrapleno, construção de base para pista, pavimentação, sinalização e implantação das duas pontes rolantes. A concessionária afirma que as estruturas foram responsáveis pela redução de 80% no número de mortes, evitando mais de 600 acidentes e salvando mais de mil vidas, desde 2011.

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