Cerca de 22.066 hectares foram queimados em Santa Catarina entre janeiro e dezembro de 2024, um aumento de 97% em comparação ao mesmo período de 2023, quando foram 11.160 mil hectares atingidos no Estado. A informação faz parte do Monitor do Fogo, do MapBiomas, projeto que mapeia a cobertura e o uso da terra no país, divulgado nessa quarta-feira (22).
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O número de áreas atingidas em Santa Catarina em 2024 é o maior desde 2021, quando o Estado registrou 24.625 de área queimada. Em 2020, o resultado divulgado pelo Mapa do Fogo foi ainda mais assustador com 28.019 hectares cercados pelo fogo. Em 2022, foram 13.459 hectares.
Segundo o Monitor do Fogo, as cidades que mais sofreram com as queimadas em Santa Catarina são da região da Serra. Em Lages, por exemplo, foram mais de 4 mil hectares queimados. Já em São Joaquim, foram mais de 3 mil hectares no período de um ano.
Veja as cidades mais afetadas em SC
- Lages – 4. 900 hectares
- São Joaquim – 3.085 hectares
- Bom Jardim da Serra – 2.727 hectares
- Água Doce – 2.184 hectares
- Capão Alto – 1.942 hectares
- Três Barras – 841 hectares
- Garuva – 818 hectares
- Painel – 589 hectares
- Lebon Régis – 432 hectares
- Passos Maia – 300 hectares
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Vegetação herbácea foi a mais afetada
Do total de hectares queimados em Santa Catarina, 15.166 hectares são de vegetação herbácea, constituída por plantas de porte pequeno e sem estrutura lenhosa (gramíneas e ervas) ou com tronco lenhoso fino.
A vegetação agropecuária foi a segunda mais afetada, com cerca de 8.485 hectares queimados. As florestas representam 397 hectares do total atingido.
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Brasil queimou área maior do que o território da Itália
No Brasil, mais de 30,8 milhões de hectares foram queimados entre janeiro e dezembro de 2024, uma área maior que todo o território da Itália. Esse total representa um aumento de 79% em relação ao ano de 2023, ou um crescimento de 13,6 milhões de hectares, sendo a maior área queimada registrada desde 2019 pelo Monitor do Fogo.
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Três em cada quatro hectares queimados (73%) no país foram de vegetação nativa, principalmente em formações florestais, que totalizaram 25% da área queimada no país. Entre as áreas de uso agropecuário, as pastagens se destacaram, com 6,7 milhões de hectares queimados entre janeiro e dezembro do ano passado.
Seca e El Niño
O aumento das áreas queimadas no Brasil está associado aos efeitos acumulados de um longo período seco que afetou grande parte do país, associado ao fenômeno “El Niño” entre 2023 e 2024, classificado como de intensidade moderada a forte. Com a baixa umidade, a vegetação fica mais suscetível ao fogo.
A Amazônia foi o bioma mais afetado. Os 17,9 milhões de hectares queimados ao longo de 2024, correspondem a mais da metade (58%) de toda a área queimada no Brasil no ano passado, e é a maior área queimada dos últimos seis anos no bioma. É uma extensão maior do que o total que foi queimado em todo o país em 2023. A formação florestal foi a classe de vegetação nativa que mais queimou na Amazônia: cerca de 6,8 milhões de hectares, superando a área queimada da classe de pastagem, que foi de 5,8 milhões de hectares.
“Esse recorde na Amazônia foi impulsionado por um regime de chuvas abaixo da média histórica, agravando as condições ambientais. Um dado preocupante é que a classe de formação florestal foi a mais atingida, superando pela primeira vez as áreas de pastagens, que tradicionalmente eram as mais afetadas. Essa mudança no padrão de queimadas é alarmante, pois as áreas de floresta atingidas pelo fogo tornam-se mais suscetíveis a novos incêndios. Vale destacar que o fogo na Amazônia não é um fenômeno natural e não faz parte de sua dinâmica ecológica, sendo um elemento introduzido por ações humanas”, comenta Felipe Martenexen, da equipe do MapBiomas Fogo.
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O Pará foi o estado que mais queimou no ano passado, com 7,3 milhões de hectares ou 24% do total nacional. Em seguida vêm Mato Grosso e Tocantins, com 6,8 milhões e 2,7 milhões de hectares, respectivamente.
Juntos, esses três estados responderam por mais da metade (55%) da área queimada em todo o ano passado. Entre os municípios, São Félix do Xingu (PA) e Corumbá (MS) registraram as maiores áreas queimadas em 2024, com 1,47 milhão de hectares e 841 mil hectares queimados, respectivamente.
O que diz o IMA
Em nota, o Instituto do Meio Ambiente (IMA) informou que os dados do Monitor do Fogo são importantes para áreas específicas, como o Cerrado brasileiro, e que Santa Catarina está em 20° posição em relação ao registro de incêndios florestais no país, segundo o mesmo levantamento. O órgão ainda esclarece que investiu em equipamentos para combate a incêndios no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro nos últimos anos.
Veja a nota na íntegra:
“Os dados do Monitor do Fogo são importantes para áreas específicas, como o Cerrado Brasileiro, que fica meses sem qualquer tipo de chuva e afetam todo o país por meio da fumaça que é carreada. Segundo este mesmo levantamento, SC está em 20° posição em relação ao registro de incêndios florestais no país. Em Santa Catarina, temos um número muito menor de queimadas, inclusive há a queima controlada que é passível de autorização.
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Nos últimos anos, por exemplo, o IMA investiu em equipamentos para combate a incêndios no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. Ainda em relação aos dados do Mapbiomas, é possível perceber que o ano de 2023 foi o que apresentou o menor número de queimadas desde que a pesquisa é realizada.
Isso pode ocorrer por causa de inúmeros fatores, que podem ser até mesmo naturais. Também não está claro se a metodologia utilizada entre um ano e outro foi a mesma. De qualquer forma, as ocorrências de incêndios florestais são bem menores em regiões como o estado de Santa Catarina na comparação com outros estados.”
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