Embora enfrente desafios significativos, Santa Catarina ainda consegue garantir eficiência nos processos logísticos. É o que apontou Ricardo Pinto de Souza, diretor de logística da Aurora Coop, durante o Painel Move SC, realizado em Chapecó (SC) na segunda-feira (2). O profissional também destacou que o mercado, apesar de bem estruturado, sofre impactos do cenário mundial.

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— Quando analisamos a indústria catarinense, percebemos impactos que vão além da logística do estado. Exemplos disso são os acontecimentos ao longo do ano, como as taxas de guerra e os efeitos do Mar Vermelho, além da greve dos portuários na costa oeste dos Estados Unidos, que também afetaram os custos do frete, sem contar o impacto no Canal do Panamá no primeiro semestre — pontua.

Todas essas intercorrências, segundo Ricardo, somam aos desafios enfrentados pelo estado — que envolvem rodovias com precariedade e pouca diversidade na matriz logística. Mas, ele reforça que há potencial de resolução, uma vez que mesmo com as adversidades, Santa Catarina mantém-se competitiva no mercado nacional e internacional. 

— Somos extremamente eficientes dentro das condições que nós temos. O segundo maior porto de porta-contêineres do Brasil está aqui, o que demonstra a eficiência diferente do Estado. Somos muito competitivos — comenta.

Indústria carece de alternativas

Mesmo que Santa Catarina siga resiliente diante das adversidades, Ricardo destaca que é hora de ampliar as alternativas, uma vez que a indústria já está ficando sem alternativas. Com condições de estradas desfavoráveis, o que resulta em altos custos logísticos, o mercado tem enfrentado dificuldades para manter preços competitivos.

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— Quando uma indústria disputa um mercado com os seus produtos, ela precisa ser competitiva. O cliente não olha para as condições da estrada, e sim o nível de eficiência e competitividade dos produtos. Portanto, Santa Catarina precisa superar as deficiências para garantir o crescimento das indústrias no Estado — orienta o diretor de logística.

Ricardo também destacou que, embora os desafios careçam de investimento, o valor está diretamente relacionado ao desenvolvimento econômico para SC, uma vez que mantém as portas abertas de Santa Catarina para o mundo. O Oeste é a região que apresenta os maiores custos em transporte, o que, segundo o diretor da Aurora Coop, precisa ser superado com urgência. 

Impacto nas contratações de motorista

As dificuldades frequentes relacionadas à precariedade das estradas, como os altos custos de manutenção, a demora para chegar aos destinos e o risco de acidentes, têm exercido impactos além do desenvolvimento econômico. Ricardo destaca que, apesar de ser um problema nacional, as indústrias catarinenses têm enfrentado desafios para recrutar motoristas. 

— A escassez da mão-de-obra está muito relacionada à condição das estradas. Nós temos hoje no Brasil mais de 4 milhões de pessoas habilitadas para dirigir caminhões. Destas, mais de 500 mil possuem mais de 71 anos. E essa curva só cresce, principalmente relacionada às condições de segurança, de estrada e do bem-estar dos nossos motoristas  — explica o diretor. 

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O atraso nas viagens, que impacta diretamente o tempo que os motoristas passam nas rodovias, é um dos fatores mencionados por Ricardo. Segundo ele, as viagens interestaduais chegam a registrar atraso em 75% a 80% das vezes, média maior do que a registrada nacionalmente.

PPPs como alternativa

Dentre as soluções para resolver as dificuldades logísticas do estado, Ricardo destaca a participação das Parcerias Público Privadas (PPPs). Segundo ele, embora as rodovias careçam do pagamento de pedágio para trafegar, elas representam custo-benefício, já que são muito mais cômodas e eficazes.

— Entendemos que as rodovias pedagiadas representam uma qualidade melhor, seja em risco, segurança, velocidade média e tempo dos veículos. Nas rodovias que não são privatizadas, enfrentamos problemas como vias não roçadas, com buracos, sem acostamento e com escassez nos pontos de segurança. Desde que sejam eficientes, os pedágios podem ser eficientes — explica Ricardo. 

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