Em “O Despertar da Lua Caída” (“When the Moon Hatched”), nova romantasia de Sarah A. Parker, dragões fazem dos céus seus cemitérios, ao se enroscarem e se calcificarem como luas. Mas com o passar do tempo, essas mesmas luas passam a se desprender do céu e cair. E será com O despertar de uma lua caída que a mudança iniciará. 

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Sob essa premissa, o novo livro da autora neozelandesa promete arrebatar o coração dos leitores, mas será que cumpre com a promessa? Misturando magia, dragões, deuses e um par romântico que vai se aprofundando aos poucos, a história traz um universo próprio, com um mundo criado por deuses, também chamados de Criadores, que abençoam escolhidos e com seus cantos elementares dão poderes a eles de ar, água, fogo ou terra.

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Uma pessoa pode ser “presenteada” e ouvir as quatros canções elementares e assim encontrar os poderes dos deuses e utilizá-los. Mas há os nulos, os que só ouvem “vazio”,e para eles não há magia dos cantos. Estes personagens são marcados ainda adolescentes, com uma mutilação na ponta das orelhas. É isso que acontece com a  jovem Raeve. (alerta spoiler!).

Atenção, se você é daqueles que não gosta de nenhum tipo de spoiler, leia o livro e depois volte para ler a análise.

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Um mergulho no universo de “O Despertar da Lua Caída”

Nesta romantasia, Raeve é a assassina de um grupo opositor ao reinado do Grado e deve fugir a todo custo de uma possível captura, mas ela não aceita uma vida de fugas e vai  tentar se vingar de um caçador de recompensas. Ao ser levada pela Guilda dos Nobres, Raeve sabe que o único futuro para ela é a execução, já que tem muitas mortes na sua conta e a dela deve ser um exemplo. 

Mas é o que aconteceu antes dela ser presa com um ferro cravado nas costas que pode evitar que Raeve seja ou apunhalada e esquartejada ou servida e morta por dragões. Na escada de um bordel, nas ruas após matar quem merecia um fim, ou em um passado distante, Raeve cruzou, muitas e muitas vezes, o caminho de Kaan Vaegor, um dos três irmãos que governam os três reinos: o Lume, o Grado e o Breu. Porém, estar diante do rei do Lume, que matou e cortou a cabeça do antigo rei ao perder o seu grande amor há cem anos, não vai só salvá-la, mas a fará mergulhar em um lago há muito tempo congelado. 

Nesse novo mundo, há féricos e seres como dragões, plumaluas, ceifassabres e mansanhas. Assim como runas, símbolos mágicos onde a magia pode ficar ‘presa” em um material e que já estão presentes em outros livros de fantasia. Além disso, a nova romantasia, que chegou ao Brasil pela Harlequin em setembro de 2024, traz um marcação temporal baseada em luas e ciclos da aurora, que determinam quando um dia começa e termina, e em eras, que determinam o que chamamos de ano. 

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Com essas eras e tempos diferentes do que conhecemos, leva um tempo para o leitor se situar na história e os primeiros capítulos parecem uma confusão de palavras e seres diferentes, que podem ser consultados no glossário que a autora preparou e colocou no final do livro. 

Início pode ser confuso  

O início do livro é o que se espera de uma série, com apresentação dessas criaturas e a exibição do “world building” da autora. Contudo, o contato inicial com esse universo novo pode ser confuso. Mas, se você tiver paciência para passar por essa introdução, a história vai começar a fluir de forma apaixonante, até porque, são mais de 500 páginas de leitura. 

Há reviravoltas, algumas delas previsíveis e outras que você é pego de surpresa. Outro ponto rico da obra são os capítulos com pontos de vista (os POV) de diferentes personagens. A mudança de perspectiva agrega muito, já que é possível entender a história a partir de diversos vieses e ver acontecimentos importantes da história se desenrolando. O uso de POV também é ótimo para se apaixonar por outros personagens, ou odiá-los ainda mais.

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A melhor parte de “O Despertar da Lua Caída” é o romance. O mocinho não só se apaixona primeiro como ele faz questão de demonstrar o amor e lutar por ele. Paralelamente, a protagonista é a personagem que divide opiniões. Ela luta contra injustiças com o mesmo afinco que tentar congelar seus sentimentos para não sofrer. Apesar desse movimento ser compreensível por tudo que ela passou e perdeu, tem horas que a repetição desse enredo se torna quase chato. 

Mesmo assim, a química entre os dois personagens é inegável. Você fica torcendo para eles se entregarem à paixão. Torce pelo beijo, pelo contato e até pelas discussões, recheada de ironias e brincadeiras.

“Para aqueles que se sentem pequenos e silenciados. Abram as asas e rujam”

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