A condição de prefeito reeleito de Joinville, a cidade com o maior colégio eleitoral de Santa Catarina, naturalmente confere a Adriano Silva (Novo) a condição de ser cotado para a disputa pelo governo do Estado, em 2026. A credencial foi reforçada pela votação recorde de quase 80%. Mas Adriano afirma que a tendência é permanecer de fato na prefeitura de Joinville até o final do segundo mandato. Até uma porta é deixada aberta — “me sinto a cada dia mais preparado para ser candidato ao governo do Estado” — mas Adriano garante que a meta é consolidar o trabalho dos últimos quatro anos. Pelo menos é com essa proposta que o prefeito reeleito dá início a mais quatro anos à frente da prefeitura da cidade no Norte do Estado.
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Quais as principais demandas para atender ao crescimento da população de Joinville, que passou de 515 mil para 655 mil moradores entre 2010 e 2024? O crescimento vai continuar nesse ritmo?
Sim, eu acredito que vai continuar, pois o empreendedorismo faz parte do DNA da cidade. A economia é extremamente diversificada, não depende de um só setor econômico. O dólar alto faz com que as nossas indústrias sejam competitivas perante ao mundo para exportação. Então, isso significa que a tendência de Joinville é ter geração de empregos e a geração de empregos é uma força motriz para atrair pessoas atrás de oportunidades.
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Esse é o principal fator hoje, que faz Joinville crescer por todos esses anos consecutivos. No serviço público, nós temos pressões em todas as áreas, mas principalmente do que tange a educação, vagas para ensino fundamental, creches, e também na área habitacional.
Temos um déficit habitacional grande, mas o que nós encontramos foi um mercado que não estava entregando, seja pelo privado ou pelo público, produtos que se encaixavam na renda do que a maioria dos joinvilenses têm. Não conseguiam fazer com que o produto ficasse dentro da faixa 1 e faixa 2 do Minha Casa, Minha Vida. Com isso, nós estudamos e estamos construindo as casas populares com o Fundo da Habitação, que não existia, liberamos loteamentos, liberamos também construção de imóveis mais populares, que estavam travados pela burocracia. Vamos lançar o Mais Moradias, que tende a diminuir muito o déficit habitacional, pelo fato de permitir que a construtora tenha um potencial construtivo maior e, em vez de pagar outorga para a prefeitura, ela dá descontos no valor do imóvel.
Nos últimos anos, Joinville tem crescido principalmente para cima, por meio de verticalização. Por onde esse crescimento vai continuar? Será por meio das expansões urbanas?
Deve crescer para cima, precisa crescer para cima. A cidade precisa adensar mais. Você faz com que os serviços públicos, as vias, o asfalto, o esgoto, fiquem mais concentrados, e isso deixa a cidade menos cara para operacionalizar. Os dois bairros novos que estão sendo criados — o Vale Verde e o Marinas — têm uma ocupação controlada, no sentido de não ser um adensamento e sim uma ocupação organizada daquilo que estava acontecendo de forma desorganizada.
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Então a gente organizou, para não repetir o que ocorreu décadas atrás em relação à Zona Sul, com ocupações desorganizadas, sem o controle viário. Hoje fica muito difícil compensar isso. O fato é que o adensamento é fundamental, então a gente hoje permite loteamentos populares onde tem bolsões de vazios urbanos.
A prefeitura de Joinville está contratando uma nova base cartográfica digital, inclusive com apresentação de proposta de revisão da planta genérica de valores do IPTU (base de cálculo do imposto). Essa planta será alterada?
Não, não existe uma previsão disso. Até houve uma pressão, uma cobrança, mas o que demonstramos é que, na maioria das vezes, em uma revisão de uma tabela dessa, você acaba atingindo justamente um público como os idosos, pessoas que têm um imóvel há mais tempo na cidade, que podem ser totalmente prejudicados. O trabalho é para ver como está o tamanho de Joinville, as áreas adensadas, construções irregulares.
Haverá mudanças em leis urbanísticas no segundo mandato? A Lei de Ordenamento Territorial (LOT) será alterada? Serão criados novos instrumentos urbanísticos?
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A LOT precisa ser revisada no momento em que a gente identifica algum problema. Então, por exemplo, mais de 60 revisões foram feitas no meu primeiro governo, revisões pontuais. Continua nesse sentido, pontualmente. Não existe previsão de mudanças conceituais.
O que a gente vem discutindo, e aí, sim, se pode discutir leis novas, é referente ao Centro da cidade. Talvez um Código de Posturas diferente em relação ao Centro, para fomentar, por exemplo, mais bares, restaurantes, áreas de lazer, para que a gente possa ter um outro Centro, com novos setores econômicos, e não só propriamente lojistas. A gente sente a necessidade da ressignificação econômica, não só urbanística como a gente já vem desenvolvendo. O fato agora é pensar em outras modalidades, por lei ou situações econômicas, para facilitar novos empreendimentos.
Pode ser por meio de incentivos tributários?
Pode ser considerado dessa forma, pode ser considerado pelo Código de Posturas. São discussões que a gente vai trazer à mesa para que a gente possa efetivamente motivar outras situações.
A adoção de Organização Social (OS) no Hospital São José sai no primeiro ano do segundo mandato?
A OS no São José é complexa, não tem se mostrado de fácil execução. A gente continua os estudos. A primeira etapa da OS é na UPA Sul. Com isso, nós vamos ter uma ideia de como é esse formato para emergência e urgências. Também vai consolidar um trabalho no São José. Existe um trabalho feito dentro do hospital, de terceirização de alguns serviços. Por exemplo, um dos pontos que a gente pensa e está trabalhando é a parte de nefrologia, onde a Pró-rim é exemplo. A oncologia, da mesma forma, a gente já tem trabalho com quimioterápicos e tudo mais, terceirizados.
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No convênio do Hospital São José com o governo do Estado ainda falta o repasse de duas de oito parcelas. Ainda não deu tempo para entendimento na questão da prestação de contas?
O convênio é mais ou menos assim: ele veio para nos ajudar em relação a 20% da folha de pagamento do São José. Isso daria mais ou menos R$ 50 milhões por ano (o valor conveniado acabou ficando em R$ 32 milhões). Quando foi assinado o convênio, houve uma questão de que não se podia pagar a folha com ele, teria de se pagar com materiais. O que acontece é que a quantidade de recursos de dinheiro que a gente hoje despende com materiais — que não são medicamentos nem folha de pagamento — não dá 50 milhões de reais no ano. Então, a gente leva tempo para fazer a despesa para receber o convênio.
Joinville poderá ter em breve novos modais de transporte, como trens de passageiros, VLT?
Nós temos um bem hoje que não pode ser jogado fora, que são os trilhos que percorrem a nossa cidade de Leste a Oeste. Esses trilhos, com o contorno ferroviário que o governo federal diz que vai fazer e a gente não tem prazo, é uma discussão de muitos anos. A gente já levou o pleito, por várias vezes, para fazer com que esses trilhos sejam usados para o transporte de pessoas entre essas cidades hoje já praticamente conurbadas. Tanto para dentro de Joinville, quanto para Araquari, para São Francisco do Sul, Jaraguá, onde tem muitas pessoas que trabalham e moram nessas cidades. Isso ajudaria muito também o fluxo nas BRs.
Então, esse é um caminho que eu acho que é muito viável, tem que existir vontade política do governo federal para que isso ocorra, porque o sistema está implantado. Você dá uma concessão para uma empresa privada explorar a parte de passageiros, eu não vejo qualquer dificuldade para executar isso.
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A licitação do transporte coletivo, o senhor acredita que sai em 2025?
Sim. Nós estamos em conversas com o Tribunal de Contas. A documentação será entregue em janeiro, para as análises finais e, a depender do que vier do Tribunal de Contas, o prazo a gente entende que talvez seja rápido, porque as conversas já vêm ocorrendo. Depois do Tribunal de Contas, não tem nada mais que nos impeça de iniciar a licitação.
O subsídio vai continuar. Ou o senhor acredita que possa haver uma fórmula que evite o subsídio?
Hoje, infelizmente, é inevitável, porque o subsídio é obrigatório, a Constituição diz que nós somos obrigados a fazer o equilíbrio das contas do serviço. Se for por meio da tarifa (a medida para o reequilíbrio do contrato), você praticamente inviabiliza: teria que ser cobrado R$ 7,60 cada passagem. Justamente por isso que a prefeitura paga uma parte da passagem para tornar o transporte público mais atrativo e não ficar tão pesado para o bolso joinvilense. Só que a prefeitura tem um limite, consegue fazer isso ali em torno de R$ 30 milhões. Para o ano que vem a gente está projetando R$ 35 milhões, que deixam de ser investidos em outras áreas para fazer esse subsídio.
A formação de novo comitê é a busca de uma guinada no atendimento das pessoas em situação de rua?
Foi uma busca de tentar fazer com que os outros poderes estejam trabalhando de forma simultânea, coordenados. Porque nós estávamos entendendo que somente a prefeitura fazendo o trabalho não é suficiente. É um trabalho que necessita obrigatoriamente do poder Executivo, municipal e estadual, das forças de segurança. E, quando se fala em leis (aplicação), também do Judiciário.
Desde quando a gente iniciou o grupo estratégico, já foram realizadas duas reuniões estratégicas e quatro reuniões táticas. Houve também três operações de ordem pública que já foram executadas na cidade, nas quais foram feitas várias ações, desde internação voluntária, ações de busca e apreensão de materiais dentro de prédios velhos, fechamento de hotéis que não tinham alvarás.
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Essa operação de ordem pública transcende o problema da pessoa de situação de rua, ataca também o que alimenta esse sistema. Porque hoje a pessoa em situação que precisa de ajuda, a gente ajuda. A Assistência Social consegue orientar essa pessoa para o trabalho, ajudar com o alojamento. Agora, quando a gente fala em pessoas com situação de problemas como drogas e álcool, tem que entrar um sistema diferenciado que a gente vem aí trabalhando com várias frentes. O grande problema é aquela pessoa que está em situação de rua por meramente se utilizar das leis frágeis que nós temos hoje em relação ao tráfico de drogas, em relação a furtos. Em Brasília, conversei com deputados e todos os senadores do Estado pedindo para que as leis sejam efetivamente mais fortes.
As operações que temos feito de forma conjunta têm surtido efeito; Joinville é uma cidade organizada, temos governo e não vamos permitir a baderna.
Sobre a eleição de 2026, do que depende sua decisão de concorrer ou não?
A minha vontade é ser prefeito de Joinville durante os quatro anos. Eu me sinto cada dia mais preparado para ser candidato ao governo do Estado, mas o importante é a gente saber em que momento é o ideal para o Estado e para a cidade. Entendo que a gente consegue consolidar um trabalho em Joinville se a gente ficar os próximos quatro anos. Aqui, a gente torce também muito pelo governo Jorginho Mello, que ele tenha sucesso. E que, acima de tudo, ele também esteja próximo da cidade de Joinville, que precisa do governo do Estado.
O que deve ser prioridade no segundo mandato?
Concluir o trabalho de infraestrutura que nós estamos executando. Nós temos muitas pontes — Ponte Joinville e Ponte Anêmonas — em processo de licitação; Ponte da Nacar, a ser inaugurada no início do ano. Temos as pontes do Jardim Paraíso, que são de extrema urgência e necessidade, não é só uma ponte, é todo um eixo viário de entrada ao Jardim Paraíso. Muito provavelmente deve se transformar na entrada principal. A mesma coisa também nos Espinheiros, que também tem uma entrada e uma saída. Tem as pequenas pontes, uma delas dentro do Comasa. Quanto à infraestrutura da educação, a gente tem que terminar as 15 creches.
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