Antes de começar este texto, devo dizer que talvez você considere que ele tem alguns spoilers de Zelda: Tears of the Kingdom. Então, se você não quer saber absolutamente nada sobre esta aventura do Link, vá jogar e depois volte aqui para ler.

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Estava eu jogando no fim de semana, despretensiosamente. Depois de explorar alguns cantos que não me trouxeram frutos em Zelda: Tears of the Kingdom, eu resolvi ir para outro lugar, para o subterrâneo.

Foi quando começou aquela música bem oriental, que já tinha no Breath of the Wild. E nada de eu me lembrar do que ocorria no jogo anterior quando tocava esse som. Eu descobri ao pular em um buraco em direção ao subterrâneo. Ao mesmo tempo que eu fui, também foi um dragão.

Que incrível! Eu juro que não tinha visto o bichão chegando e só deu tempo de o Link se agarrar nele e lá se foi uma carona de mais de meia hora que eu peguei nas costas do dragão.

Link nas costas de dragão em Zelda Tears of the Kingdom
Uma carona pelo subterrâneo (Foto: Reprodução/Zelda: Tears of the Kingdom)

Resolvi escrever sobre esse momento porque foi algo tão inesperado. É algo que não acontece muito comigo, com a Joana jogadora adulta. Quando criança, e já escrevi sobre isso, você sai andando por aí de qualquer jeito nos jogos, sem se preocupar com nada.

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Não sei se você ficou assim também, caso já seja um adulto. Mas, com responsabilidades, trabalho e menos tempo para os games, acho que todo o jogador tenta ser um pouco mais objetivo, tenta fazer com que cada curto momento que ele tenha para jogar valha a pena. Que pelo menos você consiga avançar um pouquinho.

Jogos como os da série Zelda são muito inimigos dessa mentalidade. Você tem que ter tempo para explorar. E, se você se doa e se joga na proposta dele, você é recompensado com momentos como esse.

É uma alegria infantil você acabar nas costas de um dragão. A sensação é de que descobri um grande segredo do jogo (provavelmente não, mas me senti assim). O sentimento de que fiz algo que o game não queria que eu fizesse, que não era esse o caminho que eu deveria tomar.

A outra alegria infantil é o medo de cair do dragão e perder a oportunidade, perder aquele momento único. E nem pensar em salvar e desligar o videogame! Vai que eu ligue de novo e o dragão já não esteja mais lá!

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Link em escama de dragão em Zelda Tears of the Kingdom
Novo transporte público de Hyrule (Foto: Reprodução/Zelda: Tears of the Kingdom)

O que eu fiz então foi fazer o Link ficar agarrado nele. Viajei pelo subterrâneo todo. Vi lugares a que já tinha ido e novos, que pareceram muito interessantes.

A vontade de pular e explorar outro canto foi grande, quase irresistível. Mas e se nunca mais eu conseguir essa carona?

Pelo tempão que o dragão levou para percorrer o caminho dele e voltar ao local onde eu o encontrei, deu para observar toda a linda animação dele, desde ele mexendo as patas até soltando fogo. Lembrando que o bichão aqui é oriental, não tem asas.

Viajei por partes do jogo a que ainda não fui, por ângulos que eu jamais veria de outra forma. Que alegria inesperada de um sábado à tarde!

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A sensação de passear nas costas do dragão me lembrou de outro jogo que eu acho incrível, o Shadow of the Colossus, do Playstation. Aliás, estou devendo um texto sobre ele, não?

Que você, nos seus jogos, deixe-se levar pela proposta do game e encontre muitos momentos inesperados como este. E aproveite. Eles ficam na sua memória, talvez para sempre.

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