Nenhuma das grandes ideologias criadas pelo homem puderam abarcar unanimemente sociedades, culturas, continentes, raças e sistemas políticos tão diversos como o futebol fez e faz. É inimaginável e incompreensível portanto o tamanho do ser humano que é chamado de Rei por esta organização que há 150 anos acumula adeptos e amantes.
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Se o futebol é o maior esporte criado pelo ser humano, o que dizer do atleta que se tornou seu símbolo máximo? Pelé é imensurável, porque é maior também do que qualquer medida que possamos escolher usar.
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Não sabemos quanto tempo continuaremos existindo, enquanto humanidade. Mas se existir um futuro distante, é natural que poucos recortes do modo de vida atual importarão para àqueles que se interessarem pela história dos nossos dias. O futebol, no entanto, há de ser um deles.
Se hoje estudamos as grandes batalhas da mitologia grega e fazemos filmes sobre os gladiadores da Roma Antiga, os futuros historiadores se debruçarão a entender as batalhas do século XX e XXI, que eram travadas em grandes arenas, em relvados marcados por linhas brancas e com um objeto esférico que era estranhamente disputado pelos 22 guerreiros que representavam seus países e articulavam estratégias para conseguir posicionar este objeto, por eles chamado de bola, dentro de um arco retangular envolto por redes e disposto nos dois limites do campo de batalha.
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Da promessa para o pai à realeza: Pelé marcou a história do futebol
E se hoje, mesmo sabendo tão pouco sobre as batalhas de antigamente, conhecemos familiarmente os nomes de Aquiles ou Spartacus; no futuro não terá quem não conheça um nome de guerra dos tempos atuais: Pelé. O mais vistoso, o mais exuberante, o mais vitorioso e temido herói de batalhas do século XX d.C, a era do futebol.
Como previu Andy Warhol, ainda restam pelo menos mais 14 séculos de fama para Pelé.

Veja imagens históricas que marcaram a carreira de Pelé
A história talvez não consiga compreender o que foi o futebol ou o que eram as ‘Copas do Mundo’, tão exaltadas pelas sociedades da época, mas sempre contará as glórias de Pelé, que venceu três destas batalhas épicas e elevou o nome de sua nação acima de todos os demais. Não sabemos sequer se será retratado como brasileiro, porque talvez Brasil não haja mais. Mas ele, Pelé, certamente continuará existindo.
Haverá ainda uma linha de historiadores, daqueles mais céticos, que defenderá que Pelé na realidade não existiu em forma humana. É uma lenda, dirão, um mito. Um herói criado para reunir todas as melhores habilidades dos guerreiros de sua época. E quanto a tudo isto, vejam, eles não estarão de todo enganados.
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Morte de Pelé gera comoção de atletas, políticos e celebridades
Pelé saiu dos cafundós de um país racista, onde negros como ele eram escravizados até pouco mais de 50 anos antes de seu nascimento, para a primeira prateleira da história da humanidade. É de longe o maior brasileiro que já existiu. Se amamos tanto o futebol por aqui, é primeiro por causa dele. O orgulho que sentimos do nosso país e das nossas cores também deve-se muito às suas imensas contribuições para a criação e formação da nossa identidade nacional.
No final das contas, não há um brasileiro vivo que não tenha um pouco de Pelé dentro de si. Somos o que somos porque Pelé foi o que foi. Hoje, amanhã e sempre, por séculos e séculos, todas as honras para o maior guerreiro que a era do futebol viu – se é que o que vimos de fato existiu.