Nos altos do Bairro Agronômica, em Florianópolis, situa-se o Morro do Horácio. Uma das cerca de 20 comunidades do Maciço do Morro da Cruz, o lugar tem sua história ligada ao nome de Horácio Severino Mafra, pequeno comerciante que no começo do século XX ajudou na ocupação do espaço. Horácio acolhia familiares de presos e os próprios detentos que por ali se instalavam depois de cumprir pena na hoje Penitenciária Estadual de Florianópolis.

Continua depois da publicidade

Siga as notícias do NSC Total pelo Google Notícias

A pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Maristela Fantin, que tem trabalhos publicados sobre a comunidade, descreve que o local foi chamado de Morro do Arrisca-a-Vida, Morro dos Presos e Morro dos Sentenciados.

O nome atual aconteceu porque quando os moradores compravam móveis no centro da cidade, davam como endereço de entrega o armazém do Horácio. Com as modificações, o estigma de preconceito foi diminuindo. Horácio morreu em 1994 e deixou uma família extensa.

Alguns dos descendentes ainda moram no morro que leva o nome do patriarca. Horácio tinha 14 anos quando deixou Biguaçu, na Grande Florianópolis. Contam quem levou as roupas do corpo, um documento e um porco. Teria feito a travessia numa pequena embarcação com a ajuda de um pescador. Já em Florianópolis, tratou de negociar o porco. Em seguida começou a trabalhar em uma padaria.

Continua depois da publicidade

Veja as fotos do Morro do Horácio

Em 1914, o jovem de 20 anos mostrou ter habilidade: saiu da padaria e com o dinheiro das economias e ajuda dos antigos patrões comprou um lote de 600 metros quadrados, na época um local bem afastado do centro, sem nenhuma residência por perto. Foi ali onde construiu uma casa de madeira e montou um pequeno comércio de secos e molhados.

Com a vinda da penitenciária para a Ilha, começou a fornecer produtos para consumo dos presos, alimentação, tecido para os uniformes, lenha, velas. Aos presos de bom comportamento era dado o direito de sair para trabalhar, sendo que muitos se tornavam clientes da venda. Na época, os terrenos de mata virgem eram do Estado e faziam parte da propriedade da penitenciária.

Em troca do material que Horácio fornecia, os apenados construíram moradias. Como alguns tinham praticado crimes graves, tinha receio de voltar às cidades de origem.

Continua depois da publicidade

Leia mais

Voo mostra as mudanças da área central de Florianópolis 351 anos após fundação

Aniversário de Florianópolis: confira seis eventos gratuitos para comemorar os 351 anos da Capital

Entrega de obras, shows nacionais e luta com Popó marcam os 351 anos de Florianópolis