Fernanda Brandão Argenti tem 34 anos, dirige o Instituto da Cultura e da Educação de Joinville e faz parte do grupo de mais de 650 mil catarinenses infectados pelo coronavírus em Santa Catarina desde o início da pandema.

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A seguir, você confere o depoimento de Fernanda sobre a luta contra o coronavírus:

Quando a pandemia começou, tivemos muito medo. Minha filha não pode tomar antibióticos e meu filho é asmático, o risco seria para eles. Eu não tinha nenhum fator de risco. Estava no peso ideal, praticava atividade física diariamente e os exames mais recentes estavam ótimos. Em um domingo de junho, depois de passar o dia com dor de cabeça, eu não conseguia andar direito. Era como se tivesse trombose nas panturrilhas.

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No dia seguinte, já sentia uma dor insuportável no corpo inteiro. Dor nos ossos da face e nos olhos e, por isso, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi “estou com dengue”. Eu não tinha sintoma gripal. As dores nas articulações foram se intensificando, parecia que os ossos queriam crescer dentro do corpo. No quinto dia, ao entrar no chuveiro, senti uma falta de ar muito grande. Não tinha forças para respirar.

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No caminho de casa até o hospital, todos os pensamentos horríveis vieram. Eu pensava que podia entrar e não sair mais. “Tenho dois filhos pequenos, nem me despedi deles”, pensava. Voltei para casa e, por 14 dias, fiquei em isolamento, sem ver meus filhos. Nesse período, não tinha forças nem para responder mensagens no celular. Além das dores intensas, não conseguia comer nada. Era como se a cada dia eu descobrisse um órgão diferente, de tanta dor abdominal.

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Quando saí do isolamento percebi que não estava enxergando bem. O oftalmologista disse que poderia ser neurológico. A parte mental também foi afetada: fiquei muito esquecida, não conseguia terminar as frases, os números que antes eu sabia de cor, já não lembrava mais. Tentei voltar à minha rotina, mas não consegui. Fiquei mal por mais 60 dias.

Em um sábado, peguei um vento frio em um dia muito quente. Era outubro. Os sintomas voltaram. Testei novamente positivo para Covid-19. O médico disse que não sabia se estava reativando o vírus ou se era uma segunda contaminação. Em novembro, não aguentava mais. A gripe melhorou, mas a dor articular não passava. O angiologista disse que eram sequelas da Covid-19.

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Ainda sinto dor. Mesmo sem ter passado pela internação, tive muito medo. A cada novo sintoma, eu tinha mais medo de morrer.

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