O maior escândalo do verão em Santa Catarina é a confirmação do DNIT de que existem 11 pontes em situação crítica ou ruim nas rodovias federais. A informação, obtida com exclusividade pela coluna, impressiona pelo fato de que apenas uma delas tem contrato de recuperação em execução.
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Uma estrutura em condição crítica está em risco de colapso. Repetindo: colapso. E isso significa possibilidade de queda. A ponte que caiu na divisa do Maranhão com Tocantins no dia 22 de dezembro estava na classificação Ruim, que é menos grave do que Crítica.
Veja fotos da ponte durante as enchentes
Não precisa mais do que três neurônios para concluir que no período de maior circulação de carros em Santa Catarina, em plena temporada de verão, há risco de que uma tragédia semelhante à ocorrida no Norte do país se repita aqui. E quem afirma isso não é o leigo colunista, mas o engenheiro especialista em perícia.
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O engenheiro civil Sérgio Beck, presidente do Instituto Catarinense de Avaliações e Perícia (IBAPE), foi categórico ao apontar o risco de uma ponte nestas condições.
— Para termos uma ideia, a ponte que caiu no Norte estava na classificação ruim, que é menos pior do que a situação crítica. E acabou caindo. Portanto, a classificação crítica é a pior de todas e há sim risco de colapso e queda. Se está no crítico, ela precisa ser observada todos os dias, pois está a ponto de cair — disse.
A presidente do Sindicato dos Engenheiros de Santa Catarina, Roberta Maas, disse que vai procurar o Crea e o Ibape para criar um grupo técnico de trabalho a fim de identificar os responsáveis pelas estruturas, vistoriar as obras e cobrar providências.
As 11 pontes em situação crítica ou ruim em Santa Catarina nas rodovias federais são as seguintes:
BR-101/SC (uma ponte) – Itajaí – km 3,88
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BR-158/SC (uma ponte) – Palmitos – km 145
BR-280/SC (cinco pontes) – Joinville – km 38,24; Araquari – km 24,95; Rio Negrinho – km 128,98; São Francisco do Sul – km 7,21; e Araquari – km 27,6.
BR-470/SC (três pontes) – Blumenau – km 50,91; Blumenau – km 57,85; e Apiúna – km 111,11.
BR-477/SC (uma ponte) – Blumenau – km 206,06
Causa espécie que primeiro o DNIT não informou qual a quilometragem de cada ponte, o que veio a ocorrer somente após a segunda cobrança da imprensa. Mas seguimos sem saber quais pontes estão em situação ruim ou crítica destas 11 neste cenário em Santa Catarina. E isso faz toda a diferença, pois uma ponte crítica é o pior dos cenários, com risco de colapso. É dever do poder público ser absolutamente transparente em seus atos e é direito do contribuinte ter acesso a essa informação.
Localmente, o órgão federal diz que a classificação é mais preventiva e que não há risco de colapso — fato negado pelo IBAPE.
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O superintendente do Dnit em Santa Catarina, Alysson de Andrade, em conversa com a coluna, afirmou que não há risco de tragédia em Santa Catarina. Com mestrado na área de pontes, afirma que esse tipo de informação pode causar uma falsa impressão à sociedade e provocar alarmismo e pânico.
Mesmo assim, determinou uma nova inspeção em todas as pontes em rodovias federais no mês de janeiro. E, havendo necessidade, inspeções extraordinárias com análises mais específicas e aprofundadas.
— Estamos substituindo, paulatinamente, essas estruturas para que não apresente riscos à população — afirmou.
O Dnit em Santa Catarina é responsável por mais de 1500 km de estrada e 387 pontes. Alysson afirma que em 2022 eram 6% de pontes na condição crítica ou ruim e agora são 2%.
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A pior
O Dnit não detalhou quais das 11 são ruins ou críticas. A estratégia claramente é evitar pânico. Mas confirmou, mesmo assim, que a mais preocupante é a da BR-470, no quilômetro 111 em Apiúna. É a única com contrato em vigor de recuperação. A execução do contrato já passou da metade.
Repercussão
Mas, como é período de férias e recessos, teremos a repercussão da bancada federal em Brasília daqui a alguns dias. A não ser que uma tragédia interrompa o descanso na praia de quem deveria defender os interesses do eleitor e do contribuinte.
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