É um escândalo o fato de que foram descartadas 168.392 doses de vacinas em 2024, acarretando em um prejuízo de R$ 4,4 milhões aos cofres públicos. Os dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SC) foram obtidos, com exclusividade, pelo NSC Notícias e a reportagem exibida na noite de terça-feira (4), na NSC TV.

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O caso representa desperdício de dinheiro do contribuinte e um dano à saúde coletiva, na medida em que o que era para imunizar a população foi para a lata do lixo. 

 João Augusto Fuck, diretor de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina, alega que “a baixa procura faz com que as doses percam a validade antes mesmo de serem enviadas às prefeituras”. Não é possível que a população seja culpada por procurar um posto de saúde e não encontrar a vacina, pois é exatamente isso que está ocorrendo com centenas de casos. 

Estudo divulgado em setembro de 2024 pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostrou que Santa Catarina foi o estado onde proporcionalmente as cidades mais registraram falta de vacinas ao longo do ano: o índice ficou em 87% dos 230 municípios que responderam à pesquisa. 

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O problema está em uma desarticulação completa em algo que deveria funcionar como um sistema tripartite e plenamente integrado. 

A União é responsável pela compra das vacinas previstas no Plano Nacional de Imunização e a distribuição aos estados. Os estados recebem, armazenam e distribuem às prefeituras. Se o cidadão vai ao posto, não encontra a vacina e a mesma está depositada em outro local esperando o prazo vencer, está tudo errado. 

No estado que se diz referência de ecossistema de inovação e tecnologia, o mínimo que se espera é que se crie um sistema em que o usuário tenha a informação de onde achar as vacinas, em tempo real. Não havendo (condição ideal) todas as vacinas em todos os postos (o que seria o correto), que se tenha um sistema inteligente para que o contribuinte saiba, na palma da mão, no celular,  onde achar o imunizante sem perder o seu precioso tempo.

O caso merece um olhar atento do Ministério Público e Tribunal de Contas. 

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