A varejista Schumann conseguiu na Justiça novo fôlego para renegociar dívidas com credores. Nesta segunda-feira (18), a juíza Aline Mendes de Godoy, da Vara Regional de Falências e Recuperações Judiciais e Extrajudiciais da Comarca de Concórdia, prorrogou por mais 180 dias o prazo de suspensão de ações e execuções contra a rede de lojas de eletrodomésticos, que em maio entrou pela segunda vez em recuperação judicial.

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O alongamento do chamado “stay period” funciona como uma espécie de escudo para proteger a empresa, como a própria magistrada anotou no despacho. Esse tipo de medida, comum em casos de recuperação judicial, evita que o patrimônio seja atingido por ações de execução, mantendo bens – veículos e imóveis, por exemplo – considerados essenciais para o andamento dos negócios.

Ao conceder a prorrogação, a juíza escreveu que a Schumann vem atendendo os prazos previstos em lei. Além disso, ela citou o “princípio da preservação da empresa”, já que um dos objetivos da legislação é facilitar a manutenção das atividades. O prazo de 180 dias pode ser revisto, em especial depois que houver decisão sobre a aprovação ou não do plano de recuperação judicial apresentado pela rede.

É neste documento que a Schumann estabeleceu condições para pagar uma dívida sujeita à recuperação que hoje está na casa dos R$ 155 milhões, segundo informações dos autos do processo consultadas pela coluna. O plano prioriza o pagamento de credores trabalhistas (ex e atuais funcionários) em 12 meses a partir de 2025, com limite de até 150 salários-mínimos por pessoa.

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Em relação a outros credores, como fornecedores e instituições financeiras, o plano prevê carência que pode chegar a 36 meses e parcelamento em 180 vezes. Em todos os casos, a Schumann estima deságio, que são descontos sobre os valores totais. A proposta, que inclui venda de bens, será avaliada em uma assembleia geral convocada para o dia 10 de dezembro. Se não houver quórum nesta data, uma segunda chamada está marcada para 4 de fevereiro de 2025.

Um laudo elaborado por uma consultoria e que está acostado nos autos considera que o plano de pagamento está dentro de possibilidades previstas e que a Schumann não tem uma “postura audaciosa” no que diz respeito à geração de caixa – a rede projeta receita líquida de R$ 258 milhões em 2025 –, “e sim conservadora, visto todos os desafios e momento econômico atual”.

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Relembre o caso

A Schumann entrou em recuperação judicial pela segunda vez em maio deste ano, poucos meses após o encerramento do primeiro caso, que teve início em 2015. O processo envolve também a Gasil, empresa do mesmo grupo que em 2019 comprou a Multisom, rede gaúcha de lojas de eletrônicos e instrumentos musicais.

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Na petição inicial, a rede cita como um dos motivos do apuro financeiro “impactos jamais vistos” no comércio durante a pandemia de Covid-19. Dentro de uma tentativa de reestruturação, a Schumann chegou a fechar 35 lojas e a enxugar o quadro de funcionários pela metade – de 1,2 mil para 600 pessoas. Outras medidas incluíram redução da remuneração de gestores e do volume de compra de mercadorias.

A Schumann chegou a ter mais de 80 lojas em 72 cidades da região Sul do país, mais de um milhão de clientes e faturamento na casa dos R$ 300 milhões. Em seu site, informa ter, atualmente, cerca de 50 lojas, sendo que 42 delas ficam em Santa Catarina, a maior parte na região Oeste. As demais estão espalhadas por Paraná e Rio Grande do Sul.

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